domingo, 20 de abril de 2014

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
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Para consumo
Não cumprimos com nossa obrigação de cuidar do espaço em que vivemos. Em todas as dimensões. Sejam elas para com a Natureza, sejam para com o próprio homem, como espécie em permanente estágio de sobrevivência e em processo de evolução social.

Nossa Ciência demonstra avanços - inimagináveis a não tão distantes anos - se a consideramos como único paradigma . (Sumérios há 5 mil anos conheciam o sistema solar, lido de fora para dentro).

Aí está o Kepler 186-f, detectado pela sonda de igual nome, na constelação de Cisne, a apenas 500 anos-luz de nós e com condições em muito semelhantes ao nosso. 

Para sonho de consumo terráqueo quando Orlando pouco representar.
Charge O Tempo 19/04

Solução científica
No futuro as convocações para que doadores compareçam a um hemocentro podem se tornar desnecessárias, caso não se torne o custo proibitivo – o que pensamos, diante da sanha em ganhar dinheiro que envolve os que produzem em favor da saúde... e do próprio bolso.

A notícia alvissareira vem da Inglaterra, onde cientistas já visam testar sangue artificial dentro dos próximos três anos, a partir do cultivo de células sanguíneas em laboratório, originas de células-tronco.

Não bastasse a oferta de sangue, também a redução dos riscos de infecções e doenças várias causadas por transfusões ou sangue contaminado.

Mídia I
O papa Francisco perorou em torno do que denominou ‘pecados dos meios de comunicação’: "Para mí, los pecados de los medios de comunicación, los más grandes, son los que van por el camino del embuste, de la mentira, de la falsedad, y son tres: la desinformación, la calumnia y la difamación”... "Pero la desinformación es decir la mitad de las cosas, las que son más convenientes para mí, y no decir la otra mitad. Y así, el que ve la tv o el que oye la radio, no puede formarse un juicio perfecto, porque no tiene los elementos y no se los dan".  (A íntegra da fala pode ser lida na página do Vaticano).

Sua Santidade falava para trabalhadores da RAI (a rede de TV e rádio italiana), mas parecia se dirigir especificamente ao Brasil, já que desinformar (e distorcer fatos), caluniar e difamar faz parte da agenda editorial da maioria das redações nativas, 'descomprometidas' em formar "um juízo perfeito", voltadas que estão para dizer o é "mais conveniente" para corresponder aos seus interesses.

Mídia II
David Puttnam questiona o lucro como prioridade da mídia: “Será que ela tem obrigação moral de formar cidadãos bem informados, ou ela é livre para buscar lucros a qualquer custo, como qualquer outro negócio?

Mídia III
Do senador Álvaro Dias ao Blog do Noblat:
“São as más notícias que desgastam e derrubam o governo. Temos um tempo de maturação para que esse noticiário reflita nas intenções de voto”.

"A oposição tem que ter clareza no discurso e ser mais afirmativa. Tem que se apresentar como alternativa real de mudança e convencer o eleitoral. Ao mesmo tempo, precisamos desconstruir a imagem do governo, alimentando o noticiário negativo com ação afirmativa. A instalação da CPI da Petrobras vai ajudar nessa desconstrução".

Para os que aplaudem o vale-tudo está perfeito o senador, valendo-se dos meios de comunicação, que lhe servem como Jacó a Labão. Às favas a ética, a informação, a verdade... e a exortação do papa Francisco.

Mídia IV
Misture os dois primeiros (os pecados e o lucro em detrimento de valores em defesa da sociedade) e o leitor estará diante de um fenômeno mundial. O que inclui o Brasil.

Quanto às confissões do senador Álvaro Dias – traduzindo o que efetivamente ocorre com uma mídia controlada por restrito grupo de poderosos – é fenômeno típico deste ‘país de São Saruê”.

De paraíso...
A Telexfree, comprovada pirâmide financeira pelas autoridades estadunidenses, fechou as portas. Confirmada a arrecadação de US$ 1,2 bilhão em todo o mundo. Essa a conclusão da investigação realizada pelo governo de Massachusetts, onde fica a sede da empresa. Assim que anunciada a sua condição de pirâmide, o site da empresa saiu do ar.
Um detalhe: depois da intervenção judicial no Brasil contas continuaram a ser movimentadas por brasileiros nos Estados Unidos.
De Paraíso a Inferno para quem sonhava enriquecer em poucas semanas. Inclusive para as finanças do Botafogo, patrocinado pelo sistema. 
Pecados
A marca do político sempre esteve pautada na palavra, antes de tudo. A sua descredibilidade não reside nas posições que defende, mas no descumprimento do acordado ou do que anuncia como princípio e propósito para sua carreira.

Publicamos neste espaço, no sábado 19 (“Palavra dada, palavra esquecida”) as declarações de amor do presidenciável Eduardo Campos pela candidatura de Dilma Rousseff. O rapaz mudou de idéia

Aécio Neves vem defendendo posicionamentos que fariam corar o avô, ao sabor da conveniência eleitoral, como a redução da maioridade penal.

Miguel Arraes e Tancredo andam se revirando nos respectivos túmulos.

Tratamento
José Serra foi internado no Sírio Libanês. Bactéria no sangue, a única informação. Diferentemente de expressões petistas, a imprensa não alardeou o internamente, tampouco levantou ilações sobre o grau de gravidade que acomete ou não Serra. 

O que foi à exaustão explorado nos casos de Lula e de Dilma. Que não saíam das manchetes.


‘Ir pra cima’
Causou o maior frisson entre os que combatem o ex-presidente Lula – e na esteira dele o PT, o Governo Federal e a presidente Dilma – haver dito em entrevista a blogueiros que o PT tem que “ir pra cima” dos que acusam a Petrobras. 

A interpretação dada sustentou-se na ‘semântica’ da mídia oposicionista de que atacar por atacar seria a recomendação.

‘Ir pra cima’ de que falou Lula na entrevista é explicar. Porque os dados são muito mais positivos do que se imagina. Falta serem mostrados ao povo.

No fundo – no escondido do decote do horizonte – uma velada crítica à comunicação institucional – de governo e da Petrobras – que se bastam em distribuir verbas para os meios de comunicação.

Pouco a comemorar
 . 

Neste sábado 19 poucos lembraram de que é dia dedicado ao índio. Não sabemos se o esquecimento é um desrespeito ao nativo, massacrado há séculos, ou uma reação aos novos índios, tipo os atuais tupinambás de Una, Ilhéus e Buerarema.

Os massacrados há séculos diferem (já foram 6 milhões ao tempo da chegada dos europeus, hoje uns poucos milhares), e muito, dos que apenas usam cocares e tangas em busca terra de e se multiplicando os membros da tribo através de autodeclarações. Nova e inusitada fórmula de expansão demográfica. 


Greve
Setores da Polícia Militar da Bahia enfeitaram-se para retomar a grave, já encerrada, porque um dos líderes fora preso. A confusão e balbúrdia em que se tornou a reaçao de algumas lideranças causou estranheza por nem mesmo buscarem saber as razões da prisão.

Preferiram ofertar, de imediato – como já ocorrera com a gênese do próprio movimento grevista – a conotação político-partidário-eleitoral que o tem norteado.

O açodamento afastou de muitos o raciocínio de que líderes do movimento promovido às vésperas do carnaval de 2012 – de típica rebelião, que buscava espalhar-se por todo o país – estavam processados por crimes graves, declinados (os crimes) dentre os que atentam contra o Estado de Direito. Contra a segurança nacional.

Esse o motivo do pedido de prisão feito pelo Ministério Público Federal e acolhido pela Justiça Federal (onde tramita o processo).

Alerta aos incautos
O Ministério Púbico e o Judiciário puseram a mão na ferida e alertaram para um basta aos movimentos que afetam a população. E, mais que isso, a estabilidade social. Já combalida com a atuação de muitos policiais (minoria, felizmente) mais a serviço do crime do que da ordem.

Não lhes seja negado o direito de reivindicar. Mas não podem transformar reivindicação em rebelião contra as instituições que sustentam o Estado de Direito. Que alguns ‘líderes’ querem transformar em ‘estado da Direita’.

Uma coisa...
Não de hoje que o movimento sindical é celeiro de lideranças que buscam a política partidária. Inúmeras - leciona a história contemporânea - chegaram aos mais variados cargos em razão da circunstância de serem líderes. Estão aí o próprio ex-presidente Lula e o atualmente preso Prisco.

A diferença reside no fato elementar, para início de conversa, de que ainda não há sindicalismo regulamentado para servidor público, em que pese o associativismo corresponder ao fim a que pretendem.

Outra coisa...
Em 2012 o movimento paredista até mesmo ‘ocupou’ a Assembleia Legislativa do Estado da Bahia. Não fora haver se utilizado do paredismo como biombo para atos de vandalismo e de ofensa ao Estado de Direito, como o bloqueio de estradas e a tentativa de unificar o movimento em nível nacional, pretendendo-o para todas as polícias militares do país justamente na véspera do carnaval, pondo em risco não só os brasileiros mas também estrangeiros. Imagine o leitor a imagem do país lá fora e o baque que a insanidade representava no turismo nacional.

Tiro pela culatra I
A foto da greve da polícia militar baiana não fica bem no quadro da oposição ao governo Wagner. Duas figuras beneficiadas pelo movimento no âmbito político-partidário-eleitoral (um vereador em Salvador; outro, deputado estadual) demonstraram, no açodamento, assim que preso um deles, que a pretensão eleitoral falava mais alto.

Em partidos distintos – PSDB e PSB – mais mostraram compromisso com o próprio espelho e menos com o povo (leia-se, colegas).

Não sabemos se conseguirão transferir a responsabilidade pela própria insânia para o governo.

Que ora tem o álibi de que tinha razão quando resistia – depois de aquiescer com propostas da categoria – tanto que a Justiça Federal decretou a prisão de líderes. Não a pedido seu, mas em razão de rpeceddentes.

Tiro pela culatra II
O uso político-eleitoral pode ter recebido o alerta de que tal procedimento não será tolerado. Seja pelo Judiciário (respondendo prontamente ao requerimento do Ministério Público Federal), seja pela atuação imediata do Governo federal, disponibilizando contingente de suas forças para controle da ordem pública.

A resposta da ex-ministra Eliana Calmon - candidata ao senado pelo PSB - ao correligionário Capitão Tadeu, na sexta 18, ilustra a dimensão da pá de cal no movimento de retomada da greve, porque a prisão implicou apenas em "custódia de um réu em processo antecedente":

"Atendendo à solicitação de Vossa Excelência sobre a origem da prisão de Marco Prisco, informo que após consultar o Presidente do Tribunal Regional da 1ª Região, Desembargador Mário César Ribeiro, o Desembargador Almilcar Machado, plantonista do mesmo Tribunal e finalmente, o Procurador Geral da República, Dr. Rodrigo Janot, verifiquei que a prisão do Vereador indicado decorreu da Prisão Preventiva decretada pelo Juiz Federal condutor da ação penal a que responde o edil, em deferimento, a pedido formulado pelo Ministério Público Federal do Estado da Bahia, diante das provas entregues ao Magistrado comprovando o envolvimento do acusado em novas manifestações da greve da Polícia Militar da Bahia, deflagrada no último dia 15 do corrente mês e ano. Assim nada há de novo no fato ensejador da Prisão Preventiva senão a determinação de custódia de um réu em processo antecedente, sem qualquer envolvimento político ou intervenção do Governo ou outra autoridade qualquer da Bahia.

Quero esclarecer a Vossa Excelência que a situação de Marco Prisco só pode ser solucionada no âmbito da Justiça Federal, mediante Habeas Corpus examinado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Solidariedade ou parceria no sentido de haver um reposicionamento da Justiça inexiste e a retomada de greve por parte da Polícia Militar é absolutamente impertinente neste momento porque esse acontecimento impedirá o exame de um possível Habeas Corpus, podendo ocasionar a prisão de líderes do movimento, agravando a solução do problema."
Primeira reivindicação
Há uma coisa em greves da polícia militar beirando o nonsense. O movimento já começa reivindicando ‘anistia’ para os grevistas. 

Cujas atitudes - pela lei - correspondem a motim e rebelião.


Esquecendo a lição
Tem gente na Bahia esquecendo a lição de um conterrâneo, Waldeck Artur de Macedo – o “Gordurinha”, assim apelidado pela ironia dos companheiros de Rádio sociedade por sua magreza – compositor de sucessos, como “Mambo da Cantareira”, “Súplica Cearense”, Vendedor de Caranguejo”, dentre muitos.

Inclusive “Baiano Burro Nasce Morto”, que aqui ofertamos interpretado pelo próprio Gordurinha – em meio ao discurso de outro baiano, Mário Tupinambá, no filme “Titio Não É Sopa” (1959).

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sábado, 19 de abril de 2014

Palavra dada

Palavra esquecida
Não se lhe negue o direito, natural a qualquer cidadão no exercício pleno de seus direitos políticos. Mas, uma mudança de posição em tão curto espaço de tempo não encontra explicação. 

Entenda o leitor até onde pretendemos chegar - ou faça sua interpretação - considerando a entrevista abaixo, concedida no início de dezembro de 2012, disponível na íntegra em http://revistaepoca.globo.com/Brasil/noticia/2012/12/eduardo-campos-estarei-com-dilma-em-2014.html

Eduardo Campos: "Estarei com 
Dilma em 2014"

O governador de Pernambuco diz que não será candidato a presidente – e que, apesar de ser amigo de Aécio Neves, não apoiará o PSDB nas eleições

LUIZ MAKLOUF CARVALHO
SEM ARROUBOS O governador Eduardo Campos no Porto de Suape. “Quem é amigo da Dilma, amigo do Brasil, não botará campanha na rua” (Foto:  Leo Caldas/Ed. Globo)














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"Não tenho tido a oportunidade nem o tempo de falar o que vou falar aqui. Quero dizer como está minha cabeça neste instante.” Foi com essa disposição de espírito que o governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB recebeu ÉPOCA num final de manhã, em entrevista que entrou pela tarde. O cenário foi a sala de reuniões contígua a seu gabinete, no subsolo do Centro de Convenções, em Olinda, de onde exerce seu segundo mandato desde que o Palácio do Campo das Princesas entrou em reforma. Pela primeira vez numa entrevista, Eduardo Campos foi taxativo em relação ao assunto do momento: sua possível candidatura à Presidência da República em 2014. “Não é a hora de adesismos baratos, nem de arroubos de oposicionismos oportunistas”, disse. “Queremos que a presidenta Dilma ganhe 2013 para que ela chegue a 2014 sem necessidade de passar pelos constrangimentos que outros tiveram de passar em busca da reeleição.”


Ao leitor - depois de lida a entrevista - a interpretação do que seja, para o já candidato, "oposicionismos oportunistas".

sexta-feira, 18 de abril de 2014

O preferido


É o cabo eleitoral
Não sabemos de, nem elaboramos, seu mapa astrológico, mas não se negue que a presidente Dilma Rousseff anda em fase de inferno astral. As pesquisas vêm lhe apresentando quedas seguidas nas intenções de voto, avaliação do governo e popularidade. 

Não que representem algo confiável neste instante. (Não se pode crer que uma determinada avaliação tenha seus resultados previamente anunciados – como tem ocorrido através de um tal de Informany* – antes mesmo de a pesquisa entrar em campo, como já ocorreu). Mas - de concreto - planejado, sério ou não o resultado alimenta todo tipo de especulação.

Não fora isso, ainda que seu governo apresente avanços significativos dentro do projeto de administração, desde aqueles no âmbito das políticas sociais aos de infraestrutura, o observador mais atento pode deduzir que Dilma Rousseff parece demonstrar ‘cansaço’ diante de tudo. Aquela mulher forte, gerente, sinaliza humores diversos à adjetivação.

Tida como centralizadora, no caso da refinaria de Pasadena cometeu um deslize imperdoável em política, porque dirigente: afirmou ter autorizado a compra ‘enganada’ pelas informações. Não foi uma declaração feliz, tampouco oportuna. Jogou gasolina na fogueira acesa pela oposição e deu noticiário para o resto do ano à imprensa que faz oposição ao Governo, não fora significativo tablado para a campanha eleitoral (que já começou) onde, nesse instante, só faz apanhar.

O discurso de Dilma que assistimos na inauguração e assinatura de ordens de serviço no interior de Pernambuco refletiu o cansaço de que falamos acima. Não um cansaço que pode ter sido reflexo da viagem (já havia passado por Recife) mas por uma fala pausada em demasia, com lacunas aqui e ali na prestação de contas a que se propunha, que permite levantar a hipótese de que apenas cumpre com a obrigação institucional, destituída de qualquer compromisso político.

Falta-lhe jogo de cintura para transitar com a classe política no Congresso. O velho companheiro já dissera em instante não tão pretérito para ser esquecido que por lá andavam “300 picaretas”. O ‘companheiro’ da base, deputado Eduardo Cunha (PMDB) é o exemplo mais visível deste instante. E para demonstrar que Lula tinha razão, em torno dele (Eduardo Cunha) se reúne um “blocão” para atanazar a vida do governo. 

A casca de banana mais recente foi a inclusão de uma emenda por Eduardo Cunha na MP 627 (que objeta tratar da tributação dos lucros de empresas brasileiras no exterior) que simplesmente anistia multas de planos de saúde que, caso o governo venha a não vetar, trará um prejuízo de 2 bilhões de reais aos cofres públicos.

Singular afirmativa – para ilustrar este instante – a de Luiz Tito, n’ O Tempo: “Dilma, podemos escrever, não disputará essas eleições. Ela sabe disso.” O articulista não afirma, mas escreve. Se escreve encontra elementos. Especulação que seja, ou mesmo intriga de adversário, reflete o que anda ocorrendo.

No processo eleitoral de 2014, com a oposição capengando, sem as muletas que a permitam andar, certamente o maior adversário de Dilma Rousseff é Dilma Rousseff. Ela entendida como governo, como vidraça de tudo que assessores fazem. Inclusive da atuação infiltrada em órgãos da administração pública federal de ações tipicamente políticas.

Não se diga que há falência de material no que diz respeito à candidatura de Dilma Rousseff à reeleição. Mas que há muita gente torcendo há. E não se imagine que seja da oposição, que a prefere a Lula. Que dela é um cabo eleitoral de ninguém jogar fora.

Mas não se despreze preferências. Sabe a presidente Dilma Rousseff que o preferido é o cabo eleitoral.

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* Da redação do blog:
Aquele "tal de Informany" é propriedade de grupos estrangeiros vinculados ao óleo e ao gás. Ou seja, à turma do petróleo que ainda sonha em ter inteiramente a Petrobras (leia-se, pré-sal).

São eles o grupo estadunidense General Atlantic e o inglês Actis Private Equity.

Para o leitor compreender a jogada acompanhe a variação dos papeis da Petrobras na Bolsa quando há uma 'antecipação' do resultado de uma pesquisa.


quinta-feira, 17 de abril de 2014

A falta

Que ele me faz
O título parodia um livro de crônicas de Fernando Sabino - "A falta que ela me faz" - editado pela Record em 1980. Dele (o livro) sempre destaco duas crônicas para amigos que desejem abandonar o vício do tabaco. (Cigarro hoje pode significar não somente o do tradicional fumo). Não declino o título das referidas crônicas para não contribuir com aquilo que o professor Jorge de Souza Araujo denomina de 'cultura do ler para fazer a prova". Que no caso particular seria 'ler para parar de fumar'.

A esse propósito, em parênteses, explicamos: a leitura - eterna janela para o universo - cada dia vai caindo no limbo da importância para as atuais gerações. A própria academia - dimensionada nos diferentes patamares da formação intelectual, das primeiras letras à pós-graduação com suas especializações, mestrados, doutorados e quejandos - reduziu o valor da leitura ao utilitarismo do resultado. Tanto que ler parte da obra passa a significar tê-la lido na íntegra. E com o aprofundamento de tal comportamento mais razão assiste a Jorge Araujo.

Mas, divagamos - dirá o leitor. Afinal o que pretende o vil escriba?

Nada mais - respondemos - que buscar no território da memória, provocando lembranças, em nós e no leitor. E, particularmente, dirigi-las ao contento do pretendido, ora inspirado na obra de Fernando Sabino. Tendo como tema não o tabaco, mas a política em sua dimensão eleitoral.

Os que alcançamos tempos pretéritos, bem pretéritos, no processo eleitoral - trazendo dos recônditos da memória os velhos comícios destituídos de espetáculos que lhe vieram a ser paralelos posteriormente (até que proibidos, tamanho o abuso) onde cantores, nem sempre exemplo de arte, concentravam a atenção até que 'chegasse a hora' de ouvir os oradores - aguardávamos o período eleitoral com inefável ansiedade.

Oradores que - além do banheiro, espaço destinado a cantores e oradores sem talento - nem sempre mereceriam qualquer adjetivação digna do nome, mas que faziam sua parte, elevados à condição de Cícero por serem 'lideranças' - aí entendido como cabo eleitoral o detentor de algumas dezenas de votos onde 'liderava' - tinham a oportunidade que só naquele instante se consumava.

Sem esquecer, mais contemporaneamente, o horário eleitoral assegurado em uma hora para a propaganda partidária que permitia figuras conhecíveis somente através dele, como ocorreu com um tal de "Marronzinho", líder não sabemos de quê, que conseguiu registro de partido político e passou uma hora desancando todo mundo, inclusive o presidente da república, chamando-o para "trocar murros na rua". Mais singular o fato por ser o desfiado nada mais nada menos que João Batista Figueiredo, último general de plantão na ditadura que inventou o rodízio de ditador.   

Mas, a propósito deste ano eleitoral - singular pelas circunstâncias de também o país sediar uma Copa do Mundo - em que o que menos se discute são ideias e mais o que possa servir de factóide para sensacionalizar o leitor, ouvinte e telespectador, nos vem à mente figuras que marcaram época em eleições outras por suas idiossincrasias que bem caíram no gosto do povo.

Neste 2014 há um certo vazio na sucessão presidencial, ocupada pelo trivial: uma reeleição - fato que se tornou lugar-comum desde que inventada a troco de duzentos mil dinheiros por FHC para garantir a sua -  e duas pretensões que já se tornam parceiras (e não adversárias) na busca de espaço na disputa de um segundo turno.

No mais muito de falar do outro (todos contra a pretendente à reeleição) e pouco debate, a não ser propostas ao sabor do oportunismo. 

E aí nos vem aquela "a falta que ele me faz" para muitos espalhados nesta 'terra de São Saruê'. Por três vezes (1989, 1994 e 1998) tentou ser presidente. O tempo de 17 segundos não lhe permitia expor qualquer proposta ou projeto, de tão curto. No entanto chegou a angariar milhões de votos. Pelo nome que se tornou conhecido. Quebrou a rotina.

Afinal, 'seu nome era Enéééas".

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Entender

Quem há?
O pobre mortal que pretenda compreender o país a partir da visão e interpretações postas por economistas e seus critérios avaliatórios já vive dificuldades, tantos os humores. Muitos deles amparados em defesa de interesses que em nada não estão vinculados aos do cidadão.

Quem há de entender a indústria automobilística tupiniquim? Em janeiro alardeava o avanço de 9,9% na produção de veículos em 2013 em comparação com 2012 - o melhor desempenho da história do setor - e um crescimento de 46% nas exportações, que saltaram de 3,72 bilhões de dólares em 2012 para 5,46 bilhões em 2013.

Mal finda março - passados três meses do anunciado sucesso - e as montadoras anunciam férias coletivas e demissões incentivadas, alegando pátios com estoque além do que dizem ser tolerável.

O país vivendo um estágio de quase pleno emprego, a indústria empregando mais 1,9%, crédito farto etc. etc. Naturalmente algo não condiz com a lógica do observador comum.

É que não explicam os senhores da indústria automobilística que vendem o carro mais caro, quando comparado com o preço do que produzem e vendem lá fora, que seu lucro no Brasil ultrapassa os limites do bom senso e - isso não dizem nem sob tortura - que seus lucros têm alimentado nestes anos todos - e mais acentuadamente nestes últimos de crise internacional - os cofres de suas matrizes.

Ah! Uma coisinha a mais, também nunca revelada: aqueles incentivos que o Governo Federal dá para que vendam mais barato seus carros - sacrificando Estados e Municípios - não são repassados in totum para o preço. Ajudam a formar o lucro que mandam para o exterior.

Naturalmente aí a pressão: para que o Governo Federal não lhes retire o bem bom.

Quem há de entender? Naturalmente quem perceba que o saco do usurário não enche nunca. E, mais que isso, é insaciável, se lhe damos a vida que é do dono.

Como está ocorrendo com a turma que vende ovo de páscoa. Que deu de reduzir o tamanho e o peso do produto. Sem perder a ternura... de aumentar o preço.

terça-feira, 15 de abril de 2014

É da natureza

Do escorpião
Não se cobre da mídia conservadora - porque comprometida com as elites, os privilegiados, parte deles exploradores do povo brasileiro no curso de décadas, de séculos - que faça jornalismo isento. Mais uma vez mostrou para que existe.

Perante senadores e deputados, no Congresso, a presidente da Petrobras Graça Fosrter defendeu as premissas que sustentaram a compra da refinaria de Passadena, porque "precisávamos refinar o óleo pesado de Marlin fora do país". Em 2005 a ampliação do refino fora do Brasil era uma questão estratégica.

Adiantou Forster que a atual expectativa de refino pelo parque em fase de construção no Brasil levará o país a processar a produção prevista "de forma muito mais econômica e rentável", razão por que, sob um critério de análise técnico-contábil hoje - pelas atuais condições brasileiras - a compra de Passadena não a venha a ser reconhecida como um bom negócio.

A síntese do que disse Forster pode assim ser expressada: ao tempo da compra era negócio rentável, visto que precisávamos refinar óleo pesado e pagávamos por isso lá fora. Com a construção das várias refinarias espalhadas pelo território brasileiro hoje não faria sentido a compra de Passadena.

Como previsível o noticiário televisivo editou como lhe interessava e publicou somente o que disse a presidente da Petrobras como não ser 'contabilmente um bom negócio", hoje. Divulgaram uma 'confissão' que não ocorreu.

É a turma que fez Getúlio dar um tiro no peito, que promoveu o golpe militar em 1964, que começou a privatizar a Petrobras na era FHC e pretende fazê-lo para atender à sua vocação entreguista. No fundo, tornar o Brasil o 51º estado dos Estados Unidos.


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Continua


O vale-tudo
Um fato 'deverasmente' grave - para vocabularizar com Odorico Paraguaçu nesta Sucupira em que vai se tornando este 'país de São Saruê" - passa ao largo dos noticiários: uma promotora do Distrito Federal - a pretexto de apurar o não-provado telefone de José Dirceu enquanto preso na Papuda - pediu a quebra de sigilo telefônico no limite territorial que entendeu fixar.

Tudo estaria correto - se correta é a continuidade de uma apuração já concluída desde fevereiro - se não fosse o inusitado de a ilustre representante do MP do Distrito Federal haver estabelecido como coordenadas geográficas do território a ser alcançado pela quebra do sigilo justamente onde situado o Palácio do Planalto. Ou seja, os limites de longitude (47º 51' 38.67" O) e da latitude (15º 47' 56.86" S) buscavam, inclusive, os telefones usados pela presidente Dilma Rousseff.

O fato - por si só - é um escândalo. Não se viu, tampouco se ouviu, qualquer manifestação da gloriosa imprensa. Como diria Tormeza - tratando de quem se cala diante do que deveria falar - nossa imprensa sempre em busca do sensacionalismo 'nem mugiu nem tugiu'. Mesmo diante de uma típica ação de espionagem contra a Presidente da República.

No vale-tudo do golpe evidentemente 'tudo vale a pena quando a alma não é pequena' - que nos perdoe Fernando Pessoa trazer a nobreza da alma à sujeira da trama.

Outros 'senões' vão encorpando o escândalo não mugido nem tugido: a ilustre promotora - por singular coincidência - foi orientada por Gilmar - atual ministro do STF - em sua dissertação de mestrado nos idos de 1997. Certamente aprendeu as manhas do mestre, aquele que denunciou a existência de um grampo sem nunca apresentar o áudio. Claro que nada tem a ver uma coisa com a outra - dirão os otimistas - mas a relação dá sinais de suspeição.

A insubordinação e a quebra de hierarquia decorrente da atuação da ilustre promotora também não sensibilizaram qualquer investigação jornalística. Afinal, estava ela a serviço da mesma causa por que trafega "o Padre Nobréga' - como diria Zé Limeira - "o poeta do absurdo" (obrigado Orlando Tejo).

E mais, caro leitor: o silêncio conivente de Suas Excelências juiz da Vara das Execuções Penais do Distrito Federal e do ministro Joaquim Barbosa nada também representaram, muito menos despertaram a mínima expectativa de especulação jornalística. 

Jânio de Freitas, no entanto, em sua coluna ("Nos Passos de Obama") na Folha de São Paulo no domingo 13 não tergiversou, como pode ser visto na íntegra em http://www1.folha.uol.com.br/colunas/janiodefreitas/2014/04/1439955-nos-passos-de-obama.shtml uma vez que estamos impossibilitado de copiar o texto, protegido pela lei de Direito Autoral.

Mas, simples e simplesmente, Jânio tributa ao ministro Joaquim Barbosa e ao juiz da Vara de Execuções Penais de Brasília o prévio conhecimento "da artimanha" neste "novo ardil para xeretar as comunicações da Presidência da República e da própria presidente Dilma Rousseff".

O vale-tudo continua.