terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Perseguição

Insana
O título se sustenta numa ironia: por envolver escândalos escabrosos com dinheiro público - fato comprovado que beneficiaram centenas de políticos. Destaque para alguns beneficiados nas eleições de 2002, presentes na famosa Lista de Furnas:

Pela lista, Alckmin foi quem mais recebeu recursos: R$ 9,3 milhões, R$ 3,8 milhões distribuídos no primeiro turno e R$ 5,5 repassados no segundo. Serra foi beneficiado com R$ 7 milhões, R$ 3,5 vieram no primeiro turno e o restante no segundo. Aécio aparece como beneficiário de R$ 5,5 milhões, quantia repassada em uma única parcela.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB) e o deputado federal José Aníbal (PSDB), que disputavam uma cadeira no Senado pelo Rio e por São Paulo, respectivamente, receberam R$ 500 mil cada um.

Eduardo Azeredo (PSDB), ex-governador de Minas e então candidato ao Senado, recebeu R$ 550 mil. Já o candidato a outra vaga no Senado por Minas, Zezé Perrella (PSDB-MG), pai do deputado estadual Gustavo Perrella (SDD-MG), dono da empresa proprietária do helicóptero apreendido pela Polícia Federal, no Espírito Santo, com quase meia tonelada de cocaína, foi beneficiado com R$ 350 mil.

Ao lado do nome de Zezé Perrella e do montante repassado aparece a informação entre parênteses: autorização de Aécio Neves. Esse é o único caso em toda a lista em que se encontra esse tipo de anotação.


Nomes aos bois. Escancaradamente os que beneficiaram/municiaram o esquema de caixa 2 (no caso petista chamam de "mensalão") a partir de sobrefaturamento em licitações em obras da Copasa e de Furnas, e mesmo envio de recursos:

As construtoras Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, OAS e Odebrecht são algumas das empreiteiras que financiaram o esquema de corrupção do PSDB. O Banco do Brasil, Bank Boston, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú, Opportunity e Rural são algumas das instituições financeiras que, segundo a lista assinada por Dimas Toledo, injetaram dinheiro no esquema.

A Alstom e a Siemens, envolvidas mais recentemente no esquema de superfaturamento de trens do Metrô e da CPTM comprados pelo governo tucano paulista, são citadas na lista. As agências de publicidade de Marcos Valério, DNA e SMP&B, também contribuíram.

Petrobras, Vale do Rio Doce, CSN, Mitsubishi, Pirelli, Eletropaulo, Gerdau, Mendes Júnior Siderúrgica, General Eletric e Cemig figuram entre a centena de empresas públicas e privadas que aparecem como financiadoras.

Os fundos de previdência privada dos funcionários da Petrobras, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, respectivamente, Petros, Previ e Funcef também são mencionados. A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, Firjan, foi outra que destinou recursos para o esquema tucano, de acordo com o documento.

O Tribunal de Contas da União analisou contratos de Furnas e detectou direcionamento em favor de determinadas empresas, além de superfaturamento nas licitações.


Parte de todo(s) o(s) escândalo(s) está disponível no Viomundo, reproduzido em http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2014/01/07/viomundo-foi-a-furnas-barbosa-e-os-tucanos/

Delicie-se o leitor e pense no por quê o STF de Joaquim Barbosa esconde tudo isso.

Por outro lado pode até imaginar que haja uma perseguição insana contra PSDB e penduricalhos por parte de quem divulga tanta inocência!

Caçando

Com gato
Nenhum dos sucessos resultantes das políticas de governo instauradas a partir de 2003 será objeto de atenção ou respeito no curso deste ano eleitoral por aqueles que fazem oposição e buscam ocupar o centro do poder. Certo que não veremos reações de parcela significativa da população, mas de minorias encasteladas no controle da (des)informação. Mas é da natureza do processo eleitoral: oposição é oposição; situação é situação.

Tanto que mais ouviremos críticas ao que não esteja funcionando 100%, ainda que funcione como antes não funcionava. E casos há que nem mesmo existiam. É que não cabe esclarecer, tampouco aplaudir.

A Copa do Mundo aqui sediada – por aquilo que representa o futebol no imaginário nacional – sofrerá permanentes ataques. Insistirão nos gastos “desviados” da educação e da saúde, como se os investimentos para a realização do evento não contribuam de alguma forma para gerar recursos – imediatos (o turismo da Copa, por exemplo) e mediatos (o turismo futuro despertado pelo evento) – sem falar na efetivação de obras (não só os estádios) que somente estão ocorrendo em razão do Mundial.

Singular – para esta análise – como os humores se alteram. Quando o Brasil disputava poder realizar em seu território a Copa de 2014 não faltava quem visse na proposta uma missão impossível (assim como também as Olimpíadas). As chances eram poucas. Seria um feito para países mais avançados. Ou seja, realizar uma Copa do Mundo era uma missão grandiosa, difícil – se não impossível – para o Brasil.

Conseguimos. E, apesar dos senões ora levantados se fazerem presentes desde sempre, não vimos qualquer discussão em torno deles durante as eleições de 2010.

Por que então em 2014, quando são anunciados protestos Brasil a fora justamente durante o evento? Para lembrar o ditado de que quem não tem cão caça com gato. Como não há meios de desmerecer as múltiplas ações que se encontram internalizadas no seio da população beneficiada (a mais recente tentativa, o combate ao Programa Mais Médicos) buscar-se-á, por meios transversos, atingir o governo utilizando-se da paixão nacional. Na falta de um discurso até o positivo será alvo.

Nesta contradição tupiniquim, o que antes sonhávamos (porque difícil) agora criticamos (porque conseguimos).


Meta

Futura
Artigo publicado por Fernando Henrique Cardoso em jornais no último domingo (O Globo, O Estado de São Paulo e Zero Hora) pode ser olhado como a bíblia para elaboração do programa do PSDB para as próximas eleições presidenciais. Nada de novo, para ser coerente. Como não poderia deixar de ser, no plano interno defende receitas postas em prática pelos tucanos como gestão pública e o papel do estado na economia. (Nesse particular, obviamente o Estado mínimo).

Cumpre seu papel de ideólogo vinculado aos interesses estadunidenses quando enumera o que pensa sobre a política externa brasileira. De imediato fica claro o retorno ao realinhamento automático com os EUA e a Europa, razão por que é fundamental (para ele) o ingresso do Brasil na ultra-liberal Aliança do Pacífico – comandada pelos Estados Unidos, como sabido – o que implica reduzir o espaço da China e distanciamento dos governos sul-americanos mais à esquerda, realçando o México como potência emergente (hoje em estágio lamentável depois de haver aderido ao Nafta).

De ressaltar, ainda que possa parecer proposição imediata, que a manifestação de FHC, em que pese nada inovadora, não parece possível de ser traduzida em projeto para o PSDB em 2014, que vai ocupando uma posição de coadjuvante no processo sucessório, ainda que apoiado por Eduardo Campos.

A polarização PSDB-PT – transformada em PT-PSDB nos últimos 12 anos – tende a não se manter, a ponto de analistas políticos prenunciarem um insosso terceiro lugar para Aécio Neves.

Não bastasse, o PT busca ampliar seu leque de alianças à direita, ou à centro-direita, começando por São Paulo, onde pretende liderança do agronegócio como vice na chapa de Padilha para governador. Ou seja, o PT começa a invadir território antes restrito ao PSDB.


Assim, pensamos que a mensagem de FHC visa atrair discípulos – no imediato de 2014 – como Eduardo Campos, para realização do que ele PSDB não poderá (o que significa reconhecer dificuldades concretas nas próximas presidenciais) e retomar o caminho para tentar o poder em instante mais distante – em 2018.


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Depois da queda

Coice
O cacau, como expressão agrícola, respira ares de esperança com o advento de nova política para a produção, que vai desde o reconhecimento da cabruca como sistema produtivo - o que afasta a legislação protetiva da Mata Atlântica de inserir-se em seu contexto - ao fortalecimento da CEPLAC como órgão de pesquisa.

Ainda que observados com reservas por alguns produtores o sistema se encontra em fase do definição normativa. 

No entanto, não parece promissora para cultura a informação veiculada no último 26 de dezembro no http://www.photossintese.blog.br/ dando conta de ter sido encontrada uma praga em cacauais do Recôncavo que pode ser a cochonilha rosada.

Em que pese a praga não ter por hospedeiro apenas o cacaueiro - outras trezentas plantas hospedam a doença - não representa boa notícia.

A espécie encontrada está sob análise e estudo de pesquisadores da CEPLAC, sob responsabilidade do Dr. Adonias de Castro Virgens Filho, do Centro de Pesquisas do Cacau.

Que nenhum desdobramento ocorra em relação ao Sul da Bahia é o que se espera. Até torcemos para que seja um alarme falso.

Caso contrário, depois da vassoura de bruxa, podemos repetir o dito popular para tragédias: depois da queda, coice.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS *
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Pedagogia
A imagem pública do ex-presidente Lula está entre as mais fixadas no imaginário do brasileiro. E como dirigente do Brasil no estrangeiro. Quem duvidar e esteja viajando pergunte lá fora sobre Lula e verá admiração nutrida ao operário que se tornou a maior expressão de uma nação em tempos recentes. As dezenas de títulos honoris causae e outras homenagens bem traduzem o afirmado acima.

Não bastasse, avaliação procedida pelos pesquisadores liderados por John Ayers, da Universidade Estadual de San Diego, nos Estados Unidos, revelam o efeito pedagógico do câncer na laringe que acometeu Lula, o que levou a um aumento considerável de buscas na rede por informações sobre a doença e como preveni-la, inclusive em torno de uma de sua principais causas: o tabagismo.

Não há registro, a partir do estudo, de que a busca por meios que levassem a parar de fumar – inspirada em Lula – tenha efetivamente levado à abstinência do tabaco.

Tal fato é natural. Todos olham lideranças e as tomam por exemplo. 

Imaginemos se Barack Obama adquirisse uma obesidade mórbida e a Medicina atribuísse o fato ao consumo da fast food que os EUA fazem espalhar pelo mundo! 

Explicando
Temos acompanhado o desenrolar dos fatos que envolvem os “presos da Papuda”. Assim são chamados os petistas que lá se encontram como se lá somente houvesse Dirceu, Genoíno e Delúbio. Há uma luta insana (em sentido pleno) de negar aos presos os direitos que lhe são assegurados em lei.

O mais absurdo reside em limitar o tempo de leitura. Seria piada se não fosse realidade: a leitura passa a ser definida como uma regalia ao preso, razão por que ler mais de duas horas seria um privilégio odioso.

Não queremos enveredar aqui (pouco espaço, tempo curto) para tratar do que representa o hábito da leitura para a mente humana e, consequentemente, o organismo como um todo. A atuação da mente, incentivada pela leitura – entre outras atividades de exercício – é contributiva inclusive para prevenção e redução dos efeitos da doença de Alzheimer. Apenas diremos que em terras civilizadas a leitura em prisões é incentivada (até para preenchimento das 24 horas, se o suportar preso).

Não fora isso – diz a sabedoria popular: “mente parada, oficina de Satanás” – a ociosidade para quem está detido em nada contribui para a sua ressocialização. Veja-se o índice de reincidência e verifique-se o quanto leu enquanto preso cada reincidente.

No entanto a leitura ora assume foros de regalia e privilégio. Melhor explicação circulou na rede: Num país em que a ABL tem entre seus membros FHC e Merval, a leitura é praticamente um delito.

Esqueceu apenas de dizer, ou completar: na Academia Brasileira de Letras há quem deveria estar preso por se meter a escrever.

Tuma mente
Causa frisson – e mais causará quando lançado o livro – a denúncia de Romeu Tuma Jr de que Lula foi dedoduro no regime militar. A nada crível (des)informação não precisou ser contestada por esquerdistas radicais nem comunistas comedores de criancinhas. O próprio Fernando Henrique Cardoso saiu em defesa de Lula, quando indagado e reindagado por Diogo Mainardi sobre o tema no Manhattan Conection, como observado por Paulo Moreira Leite na IstoÉ.

Para o leitor a definição do que está mais próximo da verdade: FHC ou a natureza de Tuma Jr.

Arauto da razão
Escrevemos recentemente sobre o descarte de Fernando Henrique Cardoso no que diz respeito a uma possível candidatura do ministro Joaquim Barbosa a presidente da República (“Barbosa descartado”, na quinta 2). Para FHC Barbosa “não tem traquejo” para o cargo. Não se negue verdade no expressado pelo ex-presidente.

O atual presidente do STF não tem seu nome ventilado por méritos administrativos, muito menos por qualidades políticas, tampouco por propostas que correspondam a muitos dos anseios do país ainda não suficientemente correspondidos.

Atende à sanha de uma parcela da sociedade – a de sempre – que se ampara em qualquer peça que possa ser utilizada no tabuleiro para fazê-la avançar ou retornar a uma posição de controle em seu xadrez. Não àquela eminentemente político-oposicionista; mas a que alimenta em suas entranhas o que há de discurso moralista, reacionário e – por que não dizer – golpista por excelência.

Para ela Joaquim Barbosa é o que de ideal acontece. Especialmente por encarnar a sublimação do vingador.

A razão que se atribui a FHC é a de haver aproveitado a oportunidade – do alto da cátedra de ex-presidente da República – para definir, no âmbito político-eleitoral, o que já disseram em outras vertentes juristas e cientistas políticos.

Sintetiza uma reflexão singular: como candidato a presidente da Nação Joaquim Barbosa não vende nem as máscaras de Carnaval produzidas a partir da sua imagem bufã, não fora começar a ser reconhecido como aberração jurídica presente no STF, da qual foge qualquer político que se apresente lúcido. 

E que não passa de uma caricatura capturada pela mídia. 

Nesse instante, pelo que disse em relação a Joaquim Barbosa, FHC se apresenta como arauto da razão.

Perdendo a batalha
Poucos os meses de batalha. A inglória tentativa de enfrentamento ao Programa Mais Médicos encetada pelo Conselho Federal de Medicina vai acumulando derrotas. Inclusive no plano judicial, onde o CFM ingressou com ação para frustrar o Programa.

Não bastasse, o apoio da sociedade mais está para o Governo e sua busca de assegurar o mínimo de atendimento ao povo, gerando uma antipatia a quem lhe seja contra.

Os fatos vão demonstrando que a classe médica – através de sua representação, visto que não traduz a unanimidade entre os próprios pares – perdeu ótima oportunidade de ficar calada e aguardar fatos concretos que lhe pudessem dar razão.

O afastamento da mídia reflete a compreensão de que o CFM e os partidos políticos (como o PSDB) tomaram consciência de que a batalha está perdida.

Não sabemos se o pior é perder a batalha ou o desgaste para a imagem que fica para o CFM, de haver sido contra o Mais Médicos.

Curiosidades republicanas
Disponível no www.presidencia.gov.br uma infinidade de informações – atuais e pretéritas – envolvendo o Governo do Brasil. Restringe-se, naturalmente, ao período republicano. No que diz respeito à legislação descobrimos que não estão disponíveis ‘todas’ as leis editadas. A primeira ofertada é a Lei 28, de 8 de janeiro de 1891 – revogada pela Lei 342, de 1895 –, que “estabelece as incompatibilidades entre os cargos federaes e estadoaes” e a mais imediata a Lei 44-B, de 2 de junho de 1892, que “Garante os direitos já adquiridos por empregados vitalícios e aposentados”.

No plano das curiosidades, a lei mais significativa na República Velha das disponíveis é o Código Civil, de 1916. Entre a primeira e o Código apenas 16 leis, das quais seis orçamentárias.

Interessante uma outra lei, a 25, de 14 de fevereiro de 1935, que “Autoriza o Poder Executivo a entrar em accôrdo com os herdeiros do ex-Imperador do Brasil, D. Pedro II, para acquisição da corôa imperial e dá outras providências”. No mesmo ano a Lei 38, de 4 de abril, que “Define os crimes contra a ordem política e social”, que vem a ser revogada, para nova redação, pela Lei 1.802, de 5 de janeiro de 1953, que acrescenta os “crimes contra o Estado”.

“Folhear” a relação ajuda a contar muito da História do Brasil. E muito dos avanços obtidos no curso das lutas políticas. 

Casamento moderno
Não pode ser afirmado que a postura não possa ser alterada antes das definições. Mas o casamento entre PSB-PSDB não encontra unanimidade. Tanto que Marina Silva empareda o PSB em São Paulo, no sentido de que não venha a apoiar a reeleição de Geraldo Alckmin.

A beleza da Democracia
Pinçamos na rede esta singular manifestação de opiniões diversas sobre um mesmo tema – Joaquim Barbosa: para um: “Pessoal o JB vai ser o nosso MANDELA BRASILEIRO, ESCUTEM SÓ. Resposta de outro: “Para começar vamos colocar o JB em cana por 27 anos.”

Dilma e a Copa
Particularmente não temos dúvida do que pode acontecer com Dilma – no plano da responsabilidade política – depois da Copa do Mundo. A preocupação gira em torno de uma das alternativas em relação à seleção brasileira: perder. Isso porque vencer dirá respeito ao valoroso escrete nacional (linguagem antiga, como certas ideias), a Neymar e quejandos liderados pelo ‘paisão’ Felipão. 

Nada a considerar além de que futebol nada deve à política eleitoral. Que o diga o escrete de 1950 que passou a noite anterior tirando fotos e gravando declarações com políticos em vez de descansar e relaxar para a final.

Ah! Mas se a tal ‘profecia’ do vidente Jucelino se concretizar e o Brasil não vencer a Copa e – pior – perder para a Argentina, que levantará a taça! Aí não tem jeito: culpa da Dilma e do PT.

Que de presidente da República será guindada à técnica da seleção brasileira!

Juvenal Mainart
Há muito deixamos de ler o publicado em determinados blogs locais. Não porque sejamos avesso à leituras, mas por chegarmos à elementar conclusão de que alguns – não dizemos ‘muitos’ para não generalizar – não escrevem; simplesmente reproduzem interesses. Em outras palavras: o que recebem limitam o que escrevem. Razão por que quando não recebem escrevem desancando quem não os “reconhece”. Quando não – bem mais grave – a serviço de terceiro(s). 

Não servem à escrita, mas dela se servem. Não informam, panfletam. Charge de Bessinha bem traduz o espírito da ‘coisa’. Naturalmente multiplicada em relação ao local, que se pauta apenas no mesquinho. 

O que ora escrevemos se apoia em conversa de um amigo sobre o lido em um desses espaços sobre o atual superintendente da CEPLAC, Juvenal Mainart. Há quem ande dizendo cobras e lagartos do rapaz como se fosse ele marionete, desprovido de competência e ideias. Vinculando-o a quem o indicou e não ao trabalho que tenha realizado ou deixado de realizar.

De uma coisa temos certeza: Mainart não paga para ser citado. Pode-se não gostar dele mas ninguém dirá que propôs para abrir espaços em favor da sua imagem, muito menos recebeu dele alguma proposta para tanto. Aí reside sua inconveniência.

Cremos – e não somos unanimidade, até porque o tempo confirmará ou não a crença – de que as propostas e ações de Juvenal Mainart à frente da CEPLAC podem muito bem fazê-lo de tamanha importância que o órgão, em relação ao ostracismo vivido em anos recentes, venha a ser considerado “antes” e “depois” dele. Ou, como rodapeamos quando assumiu – a.M / d.M.

O seu empenho em defesa da regulamentação da cabruca como instrumento de agricultura sustentável em relação à Mata Atlântica, já anunciada pelo Governo do Estado, não pode ser negado. O reconhecimento da cabruca será o reconhecimento da atuação de Mainart, ainda que a cabruca seja tão antiga como a própria presença do cacau na Bahia, a partir da segunda metade do século XIX. No entanto, de técnica primitiva (sempre defendida por muitos técnicos ceplaqueanos, mesmo em períodos em que o órgão mais estava a serviço da indústria de fertilizantes e defensivos) torna-se uma política de natureza ambiental, assegurando interação entre cacauicultor e Mata Atlântica, sob supervisão. 

A MA – não esqueçamos – sempre foi o impecilho ao avanço do cacau nas últimas décadas (afastada aqui a crise oriunda a partir da vassoura-de-bruxa) e tornava quem cortasse um de seus indivíduos em criminoso, quando muitas vezes o fazia para sobreviver.

Por outro lado – em relação a Juvenal Mainart – desconhecemos qualquer referência à clássica postura de dirigentes em tempos áureos que realizavam o gosto da casa-grande regional perseguindo e anulando projetos de servidores que não rezassem na cartilha “oficial”. Nesse aspecto Mainart teve atitude de estadista, ainda que o leitor possa considerar exagerada a expressão. Mas, o que faz o estadista não é a adjetivação, mas suas atitudes.

Por fim, o que ora escreve o faz a partir do que observa – e pode até observar errado – mas nunca recebeu para “escrever”. Nem mesmo busca publicidade (caso chegue será bem acolhida) de quem quer que seja, privada ou oficial.

Pau de arara
A expressão sinonimizava o nordestino retirante, fugado para o Sul do país fugindo da seca e em busca de trabalho. Adquiriu caráter preconceituoso. No início dos anos 50, a partir de um fato concreto, Vinicius de Moraes letrou Pau de Arara para uma melodia de Carlos Lyra com arquitetura que bem traduz repente nordestino.

A geração atual dificilmente entenderá a dimensão da letra diante da realidade em que vive. Imaginará outra existência. Se não ficção.
Há uma versão singular (sem declamação) da excelente Zélia Barbosa no Youtube – http://www.youtube.com/watch?v=mQIb5nm8PQ0  – própria à ideia original. Preferimos, para o propósito deste rodapé (em razão da declamação), a de Ari Toledo. Ainda que a tragédia esteja sob o signo do humor, com sotaque e tudo.


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* Coluna publicada aos domingos em www.otrombone.com.br 

sábado, 4 de janeiro de 2014

Aliança

Consolidada
Não há dúvidas da guinada à direita - centro-direita para os mais apaziguadores - estabelecida pelo Partido Socialista Brasileiro-PSB. Em Pernambuco, dos secretários empossados nesta sexta 3, dois são quadros do PSDB, antes oposição no Estado. 

A destacar que a aliança que acima nos referimos não se consolidará, em termos de candidatura presidencial, no primeiro turno, mas assinala pré-assinatura de acordo para o segundo. 

O leque que se espraia em torno de Eduardo Campos envolve a expressão conservadora do discurso nacional mesclada com uma representação à esquerda - se assim considerarmos Marina Silva - que contém em si a contradição de se encontrar amparada em forças do capital tupiniquim triado entre o empresarial e o financeiro. 

Eduardo Campos também vê assegurada certa tranquilidade em torno da escolha de seu nome para cabeça de chapa, tendo Marina como vice, anúncio formal que ocorrerá em fevereiro. A composição pode assegurar votos verdes suficientes a lançar Aécio - se mantida a candidatura - num terceiro incômodo terceiro lugar para o PSDB, o que afasta o partido da polarização com PT.

O PSDB, neste instante, fica sem reciprocidade em São Paulo, onde Marina Silva veta apoio a Geraldo Alckmin.

Os sinais são evidentes, apontando para um PSDB coadjuvante. Liderando a aliança o PSB de Eduardo Campos reunindo em sua constelação expressões do PFL/DEM - como Heráclito Fortes e Jorge Bornhausen - e assegurando o apoio do PSDB para o segundo turno.

Aí o nó górdio a ser desatado: segundo turno.


Arauto

Da razão
Escrevemos recentemente sobre o descarte de Fernando Henrique Cardoso no que diz respeito a uma possível candidatura do ministro Joaquim Barbosa a presidente da República (“Barbosa descartado”, na quinta 2). Para FHC Barbosa “não tem traquejo” para o cargo. Não se negue verdade no expressado pelo ex-presidente.

O atual presidente do STF não tem seu nome ventilado por méritos administrativos, muito menos por qualidades políticas, tampouco por propostas que correspondam a muitos dos anseios do país ainda não suficientemente correspondidos.

Atende à sanha de uma parcela da sociedade – a de sempre – que se ampara em qualquer peça que possa ser utilizada no tabuleiro para fazê-la avançar ou retornar a uma posição de controle em seu xadrez. Não àquela eminentemente político-oposicionista; mas a que alimenta em suas entranhas o que há de discurso moralista, reacionário e – por que não dizer – golpista por excelência.

Para ela Joaquim Barbosa é o que de ideal acontece. Especialmente por encarnar a sublimação do vingador.

A razão que se atribui a FHC é a de haver aproveitado a oportunidade – do alto da cátedra de ex-presidente da República – para definir, no âmbito político-eleitoral, o que já disseram em outras vertentes juristas e cientistas políticos.

Sintetiza uma reflexão singular: como candidato a presidente da Nação Joaquim Barbosa não vende nem as máscaras de Carnaval produzidas a partir da sua imagem bufã, não fora começar a ser reconhecido como aberração jurídica presente no STF, da qual foge qualquer político que se apresente lúcido. 

E que não passa de uma caricatura capturada pela mídia. 

Nesse instante, pelo que disse em relação a Joaquim Barbosa, FHC se apresenta como arauto da razão.