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sexta-feira, 25 de abril de 2014

E la nave va

Aprofundando a barbárie
Disponível no Youtube o comentário político de Bob Fernandes dentro do Jornal da Noite da TV Record em (http://www.youtube.com/watch?v=Bbsj9yO71rg) que ora disponibilizamos em texto, na íntegra, abaixo.

Bob centra seu comentário em fatos decorrentes de greve de polícias e as mortes - e o tipo de mortes - que têm ocorrido no curso delas.

Na região, a liderança principal dos denominados tupinambás se encontra presa, por ordem judicial expedida pela Justiça Comum Estadual, em razão de homicídio cometido recentemente.

Cabe-nos registrar – diante dos fatos concretos – a existência de organismos ou lideranças em defesa destes presos, utilizando-se do argumento “direitos humanos” e “direitos dos povos”.

Entre os emparedados os não-humanos que sucumbem nas condições e circunstâncias expressadas por Bob Fernandes ou que perdem terras onde estão há décadas. 

Sucumbem, uns e outros, sem que o Estado Democrático de Direito tenha lhes assegurado os mais elementares e comezinhos direitos oriundos de institutos jurídicos do Direito Natural: a vida – o mais primevo – e a propriedade – conquista histórica do Homem no curso dos séculos.

Tire o leitor as suas conclusões. A nossa é simplória, talvez: não só governos (em que pese não estarem cumprindo com seu dever institucional diante dos fatos), mas a sociedade, que apodrece no consumismo e se organiza em defesa do indefensável. Ainda que sejam respeitados organismos os que se apresentam caolhos diante dos fatos.

E la nave vaSem que busquemos a solução que exige de todos participação concreta e efetiva. Dispensando, em catarse coletiva, o individualismo que impera como 'ética contemporânea'. Podendo começar com o mea culpa que cabe a cada um.

Caso contrário, caminhamos para aprofundar a barbárie.

Não gostei deste

Bob Fernandes, publicado em 23.04.2014

Em Copacabana, dois mortos e incêndios. Em Osasco, um homicídio e 30 ônibus incendiados. Na Bahia, greve da PM. Com 106 assassinatos em cinco dias.

Na greve de 2012, liderada pelo soldado Prisco, 177 homicídios. Prisco é vereador do PSDB, e candidato a deputado. Está preso na Papuda por ordem do MP federal. 

Dos 106 mortos da greve deste 2014, a maioria tinha menos de 25 anos. Em Salvador, a matança se deu nas mesmas áreas dos homicídios da greve passada.

Por meses recolhi perícias daquela matança... 72 dos mortos foram executados. Com tiros na nuca, na cabeça.

Os assassinos usaram toucas ninja, pistolas ponto 40 - de uso exclusivo da polícia- e limparam a cena dos crimes. A suspeita quanto aos autores é óbvia.

Nos laudos, por falta de investigação, "autoria desconhecida". Em dois anos, só no rastro das greves da PM de Prisco na Bahia, 283 assassinatos.

Os mortos são mera estatística. Pobres ou miseráveis e, por isso, mortos sem nome e sem rosto.

Greve de PM é ilegal. No Rio Grande do Norte, PMs e bombeiros entraram em greve na última terça-feira, dia 22.

No reveillon de 2012 o governador do Ceará, Cid Gomes, rendeu-se à greve da PM, e confessou a um amigo: "Tive que engolir, goela abaixo".

No mesmo ano, Jaques Wagner foi emparedado pela PM baiana. O mesmo em Brasília, ao norte do Brasil, e no Rio de Cabral, com PMs, bombeiros... e as milícias de sempre.

O mesmo em São Paulo, com 106 PMs mortos em 2012 e, bem além da "lei do talião", 10 mortos a cada PM assassinado.

Em Osasco, na Baixada Santista, Guarulhos, estado adentro, denúncias de grupos de extermínio com policiais. Idem em Alagoas, Goiás... Brasil afora. 

Em 88, a Constituinte recomendou uma Política Nacional de Segurança Pública. Nada saiu do papel.

Não saiu porque governadores são reféns das suas guardas pretorianas. Porque a sociedade que pode não tá nem aí; tem suas casamatas, blindagens e segurança privada.

Nada saiu do papel porque a sociedade que não pode, só... não pode. São 50 mil assassinatos a cada ano. 

O que têm a propor candidatos a governos e legislativos? Com quem estão debatendo e articulando soluções para essa tragédia? O que é mais importante do que a vida? 

Com a palavra, candidata e candidatos à presidência, governos, legislativo. E, por favor, nos poupem de promessas vazias da marquetagem.

sábado, 10 de agosto de 2013

Bater ponto

Não é o forte
A iniciativa dos servidores públicos em greve na praieira é singular e irônica. Singular porque cabe ao prefeito - chefe maior - dar o exemplo e, pelo menos, comparecer ao local de trabalho; irônica pelo inusitado do deboche. Afinal, levar livro de ponto para o prefeito beira o nonsense e o ridículo - para Sua Excelência, naturalmente.

No entanto não será a ironia que abalará Sua Excelência. Bater ponto não é seu forte. Durante mais de vinte anos, como professor do Departamento de Direito da Universidade Estadual de Santa Cruz - UESC, Jabes Ribeiro lá não batia ponto.

Certamente aguarda - quando novamente ocupa a prefeitura de Ilhéus - viver de sinecuras. E, quem sabe?, conseguir se aposentar por tempo de não-serviço como ocorreu na Universidade.

Conselheiro e orientador o ex-reitor Joaquim Bastos, que assinou a indigitada aposentadoria, está ao seu lado. Para o que der e vier.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Pela amostragem

Talvez tenha razão
Professores das universidades estaduais não encontram apoio do Governo do Estado para suas reivindicações - dentre elas, a principal, a salarial - e ameaçam movimento paredista. O Governo diz não dispor de recursos financeiros para atender a pretensão.

Em que pese farta publicidade dando conta do progresso da Bahia em sua gestão - e a propaganda, pelo volume veiculado, parece também farta em gastos - soa estranho que para o governador Jacques Wagner não haja disponibilidades para corresponder ao aumento pretendido pelo magistério universitário estadual.

No entanto, observando em volta, pela amostragem que nos atinge, pode ser que o Governo da Bahia "de todos nós" tenha razão. Afinal, na segunda-feira 27, até caneta esferográfica estava faltando no protocolo da DIREC-7.

"Apesar de você"
Certamente por essas e outras a emissora AM vinculada a Geraldo Simões, em programa na sexta 24, desancava a classe política nas pessoas de Coronel Santana, Augusto Castro, Marcelo Nilo e... Jacques Wagner.

A emissora, ao que parece, mostra independência em relação ao governo Wagner e não anda amassando barro nem para o governador, ainda que do PT, o partido do deputado.

Ou alguma outra coisa anda no ar. Talvez como na música de Chico Buarque: "Apesar de você...".

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Greve

À vista
Mais um embate à vista, no universo da educação na Bahia. O Governo Wagner vai se tornando referência de desgaste quando o tema é discutir a valorização de profissionais do ensino. Desta vez, novamente, os professores das universidades estaduais sinalizam a possibilidade de enfrentamento, única saída que encontram.

A razão por que estamos quase a afirmar a deflagração de mais uma greve decorre dos exemplos colhidos no curso da atual administração aliados a uma proposição política que agride o bolso dos que militam na seara educacional.

Não são somente as limitadas iniciativas do Governo Estadual no que diga respeito a uma efetiva melhoria da remuneração dos servidores e invstimentos na educação. Deu o governo de Sua Excelência de avançar sobre direitos adquiridos e inovar quando passa a confundir, como condição de aumento para a remuneração, que o servidor realize cursos e aprimoramentos que antes constituiam o que se denomina de avanço horizontal.

Explica-se, no caso do avanço: o governo Jacques Wagner, como já ocorreu com os professores da rede que paralisaram atividades durante 116 dias, pretende também com os professores das universidades estaduais, condicionar "aumento" a atualização/avaliação curricular de cada um.

Por este caminho o professor precisa estudar para certificar a viabilização de "aumento". Em outras palavras: caso o professor não realize o curso não terá "aumento".

Quem está fora do palco veria na atitude uma avanço. Ocorre que o alegado "aumento" (observe o leitor que estamos aspeando a palavra) nada mais é que reposição inflacionária, ou seja, recuperação das perdas do poder aquisitivo da remuneração com a inflação.

Ao condicionar este "aumento" à realização de curso de atualização etc. o Governo Estadual está suprimindo, pura e simplesmente, a vantagem que teria o servidor, em nível de remuneração, de vê-la elevada à conta do denominado avanço horizontal, incentivo legal para aperfeiçoamento intelectual do professor.

Podemos estar enganado, mas tal procedimento leva ao desaparecimento do avanço a médio e longo prazo, que passará a ser condicionante de reposição inflacionária, que o governo denomina de "aumento".

Diante da circunstância há possibilidade de paralização. Jacques Wagner conseguiu engambelar a rede pública estadual mal dirigida e mal assessorada juridicamente, mais preocupados muitos de seus dirigentes e integrantes com conquistas individuais e não coletivas.

Mas com as universidades estaduais a coisa pode não convencer neste particular. E a saída, em tais situações, é a greve.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

É só exibir

Greve
O R7 aventa a possibilidade de juízes federais (da justiça comum e trabalhista), liderados pela AJUFE e AMATRA, "cruzarem os braços" na quarta e quinta para darem visibilidade ao movimento reivindicatório por melhoria salarial.

Como nos bons tempos não custa a mobilização ocupar as ruas para mostrar a penúria. Exibindo o contracheque.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Do vazio ao nada

Fiscalizando o superficial
Em tempos mais pretéritos o ano escolar se perfazia de 180 dias, hoje de 200. A presunção é de que é o tempo mínimo necessário para a transferência da informação contida nos conteúdos curriculares. Não enveredamos aqui se mais ou menos dias sustentam a qualidade que se espera da formação escolar.

Escrevemos a propósito de matéria publicada n' O TROMBONE desta quarta 17 ("Na semana do professor, 'rédea curta' do MP") que foca em torno da possibilidade de o Ministério Público "ir de escola em escola no próximo sábado para fiscalizar o efetivo pagamento de aulas referentes ao período de greve da rede estadual".

Saiba o caro leitor que, aceitando a forma proposta pelo Governo do Estado, os professores da rede concordaram em "repor" aulas aos sábados, correspondendo cada sábado a um dos dias da semana (segunda, terça, quarta etc.). Ou seja, em um sábado repõe-se as aulas de uma segunda-feira, em outro, as de terça, até que se complete o ciclo, que voltará à segunda, e assim por diante, a fim de que não ficasse o aluno sem os conteúdos correspondentes ao tempo em que durou a paralização.

"Ficasse", dizemos, porque dito acordo legitima apenas a propaganda do Governo de que o ano escolar não foi prejudicado, ou, em palavras diretas, não está "perdido". Afirmamos isso por uma razão elementar: se está sendo reposto em cada sábado apenas um dia da semana obviamente outros quatro não estão sendo repostos, o que significa dizer que 80% do conteúdo não tem como ser repassado ao aluno.

Tudo o que ora escrevemos se volta para refletir em torno da possível atitude do Ministério Público, em buscar "conferir" se os senhores professores estão efetivamente cumprindo com a "enganação". Ou seja, buscar nos professores possíveis culpados pelo "descumprimento" de um acordo criminoso para com a sociedade, e em particular para com a comunidade escolar, para o qual o próprio MP não levantou uma palha em defesa dos interesses difusos presentes, dentre eles o direito à educação. Se podemos dizer que estamos diante de um projeto educacional propriamente dito.

Sem negar a função do Ministério Público, dentre elas a de acompanhar temas como o que pretende enfrentar, ficamos a imaginar se tão valiosa preocupação ocorresse cotidianamente, mais no conteúdo e menos na superfície das coisas.

Para não irmos longe, e ficarmos com a "fiscalização" de escolas públicas, como ajudaria o MP pondo os seus integrantes a acompanhar o dia a dia de nossas escolas! Certamente contribuiria para a luta que muitos professores encetam, quixotescamente e sem nenhuma repercussão, para ver nossos estabelecimentos de ensino dotados de equipamentos condizentes com a realidade (pelo menos internet), não fora a presença de psicólogos e assistentes sociais.

Descobriria que muitas escolas, especialmente as que reunem grandes contingentes de alunos, estão invadidas por representantes de "raios" A e B e que nelas se repercute a tragédia de uma sociedade destituída de valores, dentre estes o da família como instituição. Que se tornam, as escolas, depósitos e reformatórios para receber os futuros desassistidos de sempre, transferidos para elas como se fossem o repositório das mazelas sociais.

Sob este último aspecto, a intervenção do MP poderia contribuir para menos doenças da profissão, como a estafa, não fora o permanente desestímulo para com a sobrevivência e a queda na autoestima. 

Talvez ficasse o MP mais distante dos holofotes e mais próximo da sociedade. Ou, quem sabe!, deixasse de fiscalizar o superficial, aquele que leva o vazio ao nada. Que evitasse ser bedel de professor em escolas públicas e mais buscasse contribuir para construir a escola que precisamos, que a sociedade exige e que os governos negam.


domingo, 29 de julho de 2012

DE RODAPÉS E DE ACHADOS-Dia 29 de Julho

Quando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  
Adylson Machado

                                                                             

Olimpíadas

A festa de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos tem conseguido surpreender a cada edição. Desde aquele humanizado Misha vertendo lágrimas na despedida nos Jogos de Moscou (1980) temos tido verdadeiros espetáculos de criação, resgatando a história e as tradições de cada povo.
A abertura dos Jogos de Londres, na sexta, conseguiu trazer novidade, depois de imaginarmos que tudo havia se esgotado nos Jogos da China de 2008.
Marcou, na mensagem, a história da contribuição inglesa para o mundo a partir da industrialização como grande foco, não afastando a literatura e a música. Nem mesmo dispensou Mr. Bean.

Compradores em potencial

cadilacEis o famoso Cadillac Town Sedan 1928 que pertenceu a Al Capone, levado a leilão neste domingo 28.
Bem que poderia ser arrematado por algum brasileiro de casta muito “ilustre”.

Onde a isenção?

cartaO ministro Gilmar Mendes, ainda que luminar do Direito, no plano ético não nos traduz credibilidade e isenção. O que significa dizer: decisões suas podem estar eivadas de menos defesa do Direito e mais dos interesses à sua volta.
Declarações estapafúrdias e ameaças a membros de outros Poderes da República fazem-no, para nós, um ator bufão em busca de aplausos. Particularmente sabemos de quem espera aplausos, ou mesmo para quem atua no tablado.
Não fora a manifestação funcional em favor de poderosos, onde o exemplo mais imediato está nos habeas corpus para livrar Daniel Dantas da prisão (não pela concessão da ordem em si, mas pelo atropelamento ao ordenamento jurídico pátrio, ultrapassando instâncias), tem se portado em certos instantes como panfletário político-partidário.
Do ministro Gilmar Mendes não podemos duvidar nada. Mas nos faltava algo além na sua capacidade de inovar. E a revista Carta Capital traz então a última pérola do fanfarrão Minésio: recebeu dinheiro do “mensalão” do PSDB de Minas Gerais, através do mesmo Marcos Valério, que ele julgará, a partir de agosto.

Inédito

Estranha essa greve de caminhoneiros. Param para pedir o “direito” de continuar a trabalhar mais com menos descanso. A lei que os beneficia e os humaniza está sendo questionada pelos próprios beneficiados.
Mais nos parece locaute, a greve dos patrões. Os que teriam de assegurar jornada de oito horas, com intervalo de descanso de meia hora a cada quatro viajadas.

Preservação

A mãe morrera logo depois do parto, deixando quatro gatinhos a miar por alimento. O leite de gado, desdobrado com água, não lhes faltava. Faltavam mamas. Que lhes foram ofertadas por Primavera, uma cadelinha poddle. Que brigava com todos que se aproximassem de “sua” ninhada.
Aconteceu ali em Itororó, no início dos anos 60. Testemunhas vivas do fato. Eu e minhas irmãs Eva, Aidil e Nancy.

Diplomacia

Há uma insistência do conservadorismo nacional em criticar a política externa brasileira e em particular a atuação de sua diplomacia. O aprofundamento da aproximação com a África, Oriente Médio e a América Latina sofre na língua viperina de parcela da imprensa como nordestino em tempo de estiagem.
Evidente que este país, para pensar mais em seu futuro (ainda que não se afaste em termos absolutos, inclusive pela impossibilidade geopolítica), não pode estar atrelado, sob a égide da submissão, aos ditames do interesse dos Estados Unidos.

Diplomacia e subserviência

Nossa subserviência recente, no período FHC, nos levou a absurdos como prometermos entrega da Base de Alcântara sem que mesmo tivéssemos, os cientistas brasileiros, possibilidade de lá entrar sem autorização estadunidense. A ALCA eram favas contadas, a partir de janeiro de 2003. E não se fale na vergonhosa postura de um chanceler tirando sapatos em aeroporto como se reles mortal portador de artefatos capazes de destruir o Pentágono ou a Casa Branca.

Diplomacia que não perdoam

No caso recente, do golpe perpetrado no Paraguai, a diplomacia brasileira tem comido o pão que o Diabo amassou. E mesmo escrevem os arautos da conservadora elite nacional – mais afeta ao entreguismo que ao nacionalismo – de que estaríamos intervindo em assuntos internos do Paraguai, ainda que reagindo nos termos contidos nas declarações que alimentam o Mercosul.
Muito diferente dos Estados Unidos (santo do pau oco, como diria  Tormeza), que não fazem outra coisa nesse mundo a não ser promover belicosas intervenções em negócios alheios. (E estamos aqui para ajudar a não esquecer sua participação na nefanda ação na América Latina, derrubando governos eleitos democraticamente em defesa da democracia contra o comunismo, o que particularmente nos deixou um legado difícil de triste memória).

Diplomacia de lá para cá

De Cláudio Humberto não podemos esperar outra coisa além do que faz. É da ideologia dele, é compromisso dele e para com os dele. Respeitamos. Mas, até que nos seja ofertada uma explicação convincente, ficamos sem entender o por quê de o Diário do Sul publicar texto de Humberto criticando a diplomacia brasileira.
Nosso espanto não decorre do texto em si. Mas porque o Diário do Sul não tem tradição de enfrentar temas polêmicos locais, estaduais ou nacionais. Muito menos temos conhecimento de que na sua editoria haja alguém que se debruce em suas páginas para lidar com o melindroso tema que é a diplomacia.
A não ser que tenha tomado essa iniciativa. O que muito louvamos.

Guerra de números I

Pesquisas de intenção de voto pululam para consumo interno, vazadas conforme o interesse da encomenda ou por quem se vê beneficiado por elas. Estudos há, em relação a reeleições, municipais em particular, de que não são os indicadores de intenção de votos o grande referencial para definir a comodidade ou não de candidato que está no poder.
Os estudos analisam em torno de exemplos concretos, onde ponderado o peso e a influência de um dado pouco apresentado por muitos candidatos à reeleição: a imagem da administração na avaliação do conjunto da obra (administrativa), que pode influenciar no resultado se este indicador apontar um percentual em torno de 25% de ruim.
Isto acontecendo, ainda que na dianteira das intenções de voto, pode o “eleito” perder a eleição em consequência de como é visto o seu gerir a coisa pública.

Guerra de números II

Levantamos essa discussão – inclusive já a levamos a debate em programa de rádio do qual temos participado (o Bom Dia Bahia, comandado por Ederivaldo Benedito, na Rádio Nacional AM, aos sábados) – diante da circunstância de tomarmos conhecimento do resultado de pesquisas não levadas a registro na Justiça Eleitoral onde estão apontadas apenas as intenções de voto da estimulada, o que inviabiliza análise mais aprofundada dos dados coletados por não estarem disponíveis aqueles acima referidos.
Tudo que nos tem chegado ao conhecimento gira em torno de certa vantagem de Azevedo, dele se aproximando Vane, que se encontraria empatado, ainda que na dianteira, com Juçara. Ou de que a realidade não é bem essa: Juçara lideraria, com Azevedo escorregando na folha de bananeira e Vane sem sair do lugar.
Mas, diante do esconde-esconde dos dados preferimos ficar com o raciocínio de que em andamento está uma “guerra de números” aguardando as urnas. Que passam pelo horário eleitoral no rádio e na televisão.

Campanha pela “princesinha”

princesinha
Por demais louvável a iniciativa dos que convocam a comunidade uesquiana em torno da preservação da velha fobica
Certamente a Professora Adélia Pinheiro desconhecia a situação e compreenderá a mobilização em favor de um dos poucos ícones materiais da Universidade.
O pombal se foi, a planta baixa do projeto original foi alterado. Que a “princesinha” não continue a enferrujar.

Peças trocadas I

Fomos a Ferradas ver o que se passava por lá. Ainda que náuseas nos alcancem quando se trata de evento ligado à administração municipal. Não porque realizações da administração local não mereçam nossa atenção e respeito, mas por ver, em meio a homens de bem, uns tipos asquerosos e nauseantes, inexpressivas figuras, carimbados papagaios-de-pirata de eventos que possam lhes garantir uma fotografia para um álbum particular onde só resta a foto e nada de feito.
Mas para lá nos deslocamos, neste sábado, porque temos acompanhado, desde meados de 2010, a atuação de alguns abnegados em defesa do resgate de Ferradas a partir do filho ilustre – que nunca negou ter ali nascido, em que pese os saudosistas e pessimistas desta terra se utilizarem dessa afirmação negativa, que desconhecemos como nascida de Jorge Amado.
Visando transformar aquele espaço da geografia urbano-itabunense num centro cultural para Ferradas trouxeram, inclusive, um evento internacional – a XI Edição do Mercado Cultural, em novembro de 2011.
Para tanto, revitalizar a casa onde viveu Jorge Amado parte de sua tenra infância integrava o propósito. Adicionaram os idealistas transformá-la também num espaço de ações culturais concretas, onde instalado um Galpão Cultural.
Lutaram e conseguiram do prefeito Azevedo o compromisso de verem inaugurada a casa do escritor ferradense, onde só havia terreno e mato, e nela acrescer Galpão, biblioteca e museu. Não se negue: o prefeito cumpriu e a obra foi inaugurada neste sábado 28. Como também um símbolo do resgate que o idealismo almejou, com a estátua do ferradense no trevo recém-construído na entrada do bairro.
Peças trocadas II
Para lá nos deslocamos, esperando ver autoridades ao lado do povo de Ferradas, representantes da ACCODEC (a associação local) em festa todos para lembrar Jorge Amado. No entanto, visualizamos um punhado de pessoas para momento tão nobre, numa Ferradas onde muitas portas estavam fechadas como gesto mudo de repúdio.
Tudo precedido de propaganda eleitoral indevida e ilegal. Não fora o repertório brega que o mesmo veículo decidiu tocar.
Para coroamento, não podia faltar um símbolo amadiano: uma Gabriela. Que parecia em fim de carreira. Como a imagem de muitos que integram a administração de Azevedo e se faziam ali presentes.

Dinheiro do Santander

Uma placa do Santander enfei(t)a a parede lateral direita na sala de entrada da casa de Jorge Amado em Ferradas, acima de cópia da certidão de nascimento do ferradense. Não está de graça.
Não temos a razão imediata, mas sabendo que onde há nome de banco há sinal de dinheiro circulando, como cidadão gostaríamos de saber quanto o Santander andou distribuindo para ter o nome na parede da casa do ferradense ilustre.
E mais: se houve autorização da Câmara Municipal para tanto. Afinal, a Casa de Jorge Amado em Ferradas é espaço público, por integrar o patrimônio cultural do município.

Juçara está certa I

Melhor assumir a realidade e afastar, de logo, imagens que possam prejudicar a sua campanha. Assim, defendemos a posição de Juçara/Acácia no que diz respeito a desvincular Jacques Wagner e Geraldo Simões de sua propaganda eleitoral. Hoje mais pesadas do que chumbo lançado em piscina.
Como desculpa, no entanto, afirmar que a razão de exibir material de propaganda onde só apareçam mulheres (Dilma, Juçara e Acácia) está vinculada a legitimar a chapa local como força eleitoral feminina, dá para enganar alguns, mas não convence.
E não convence por uma razão elementar: não se dispensa em processo eleitoral apoio, muito menos se ele vem de imagens já vinculadas no imaginário da sociedade. Não se pode dizer que um Governador de estado reeleito e um deputado federal em terceiro mandato e ex-prefeito por duas vezes – não fora o distante mandato de deputado eleitoral – não teriam peso em sua campanha pela circunstância de serem homens/masculinos (preconceito de gênero).

Juçara está certa II

Ocorre é que grande mesmo é o peso de qualquer candidato em Itabuna – para não dizer da região – dizer que tem o apoio de Jacques Wagner. Pior, no caso particular, dizer que o tem de Geraldo Simões, imagem desgastada e sofrível (ainda que seja injusta a afirmação, para alguns), hoje às voltas até com uma denúncia junto ao Conselho de Ética da Câmara Federal.
Juçara está certa mesmo. Basta o peso de uma imagem que lhe outorgaram e que lhe pode ser cara: a de ausente da realidade do povo e de ser candidata imposta ao PT por ser mulher de Geraldo Simões.

E por falar em Olimpíadas

Porque é tempo de confraternização olímpica trazemos o tema principal da trilha de Carruagens de Fogo, de Vangelis, posto na abertura do filme que aborda a luta e determinação para superar dificuldades e alcançar vitórias. Com um detalhe particular: serviu de mote para o humorismo de Mr. Bean na abertura dos jogos de Londres, nesta sexta 27.

Cantinho do ABC

caboco28 de julho de 2012. Dia, mês e ano do Jubileu de Ouro do ABC da Noite. Fomos visitar o filósofo do Beco do Fuxico na antevéspera da efeméride histórica. Meu filho André acompanhando. Cumprimentos rolaram. E provocamos a verve alencarina:
– Cabôco, 50 anos na cacunda do ABC não é pouco para você!
– É, Cabôco – investe o filósofo – pelo menos você tem idade para tentar outro cinquentenário. Eu não.
– Certo que não dispensamos você por companhia, que tem vocação para Matusalém – dissemos. E prosseguimos no mote:
– O que não lhe falta é mato para percorrer.
– É, Caboco, muitos matos além! – fechou a cena o filósofo do Beco.
Só nos restava anotar mais uma. Para a segunda edição de O ABC do Cabôco.

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum