terça-feira, 8 de abril de 2014

Eleições


O grande eleitor I
Em que pese dois momentos significativos da história político-administrativa recente do país somente um deles tem sido explorado em pesquisas. Ainda que a disputa de idéias se apresente polarizada entre PSDB e PT, quando referido um representante dos respectivos ‘pensamentos’ somente o ex-presidente Lula tem integrado as planilhas de pesquisas eleitorais.

As conclusões imediatas podem advir do fato de que Fernando Henrique Cardoso não recuperou a imagem que deteve em instantes de seus governos; o contrário de Luís Inácio Lula da Silva, que a mantém. 

Isso considerado uma conclusão se impõe: FHC tira votos; Lula, soma. Talvez essa a razão por que os institutos de pesquisa não põem em confronto FHC x Lula em suas enquetes.

Claro fica, escancaradamente – e vemos como de importância singular – que o guru de Aécio Neves – FHC – em nenhum momento é posto sob consulta como ocorre com Lula. O que há no ar além dos aviões de carreira: o tão alardeado governo tucano não motiva nenhum chamado tipo ‘volta, FHC’, dentro do PSDB, como ocorre com o ‘volta, Lula’ em setores do PT.

Resta – para abalar os efeitos do grande eleitor – gerar a desconfiança que interessa à oposição (a quem serve parte da imprensa): um conflito entre Dilma e Lula, instigado sempre sob o domínio de números que a ele assegurariam vitória certa. 

Jogo psicológico, teste de nervos.

O grande eleitor II
Partindo da premissa da existência de manipulação através do levantamento aventamos ontem ("Falta combinar com alguém") a circunstância efetiva do porquê da queda de Dilma em pesquisa da Datafolha, considerando o fato concreto de que nenhum dos demais candidatos postos como cabeça de chapa haverem dela se beneficiado. 

E mais: de que nela estaria embutido um claro sinal de substituição do nome de Eduardo Campos por Marina Silva, aquela que, segundo o levantamento, seria capaz de assegurar um segundo turno.

No entanto, outro dado presente na pesquisa fora omitido da divulgação (com objetivo de “agitar o mercado”): o que representa aquele Lula ‘eleitor’ no processo eleitoral. 

Tais dados foram divulgados à solerte na calada da noite, 24 horas depois, na noite de domingo, pela Folha de São Paulo, sem a visibilidade que exigia sua importância: o peso de Lula na sucessão leva-o a ordenar e a hierarquizar a definição de – compreenda o leitor o porquê de a Folha não divulgar o dado pesquisado no sábado – 60% do eleitorado. 37% ‘votariam com certeza’ no indicado por Lula. Ou seja: considerável parcela do eleitorado votará em quem Lula recomendar.

Para ampliarmos a dimensão do fato negado no primeiro instante pela Folha: 41% rejeitariam indicação de Marina Silva e 57%, a de Fernando Henrique Cardoso (somente 23% admitem sufragar uma sua indicação).

Elementar conclusão: quase o mesmo percentual que admite votar em quem for indicado por Lula (60%) rejeita indicado por FHC (57%).

O grande eleitor é fato explícito. Arrasador nas andanças de campanha pelo país e nos programas eleitorais.


segunda-feira, 7 de abril de 2014

Falta combinar

Com alguém
Famoso no anedótico futebolísitco o fato, talvez lenda, de que Vicente Feola, então técnico da seleção brasileira de 1958, fazia a preleção antes do jogo com a Rússia, e determinava a cada um o que devia fazer em campo. Atribuída a Garrincha e sua ingenuidade a pergunta: “‘Seu’ Feola, o senhor já combinou com os russos?”

Registramos ontem no DE RODAPÉS E DE ACHADOS (“Vale tudo real”) o fato de que antes mesmo que a pesquisa Datafolha entrasse em campo (entre os dias 2 e 4) já havia sido publicado por um tal Informany na terça (1º) que o instituto divulgaria “pesquisa eleitoral no próximo sábado e promete agitar o mercado. Flagrante a antevisão do resultado. Ou seja, não havia como dar errado.

Mais foi expressado no rodapé, a partir de outras leituras: a entrevista “cansaria” o entrevistado com 47 perguntas sobre temas que vêm saturando o telespectador e ouvinte – Petrobras, Passadena, inflação, violência, saúde etc.  Até que, devidamente lavado, respondesse sobre as intenções de voto para presidente da República, as últimas indagações.

O método é por demais conhecido. E já chegou a ser alvo da então Procuradora-Eleitoral Sandra Cureau, em 2010, em relação ao Sensus, que se utilizara do mesmo processo em pesquisa de intenção de voto.

Nada estranho que o faça o Datafolha, instituto que responde aos interesses do Grupo Folha, em nada comprometidos com a verdade factual, mas em se utilizar dos meios de que disponha para fazer a sua política e defender os seus candidatos, ainda que se diga imbuído da mais pura isenção.

No entanto, quando os resultados (ainda que manipulados pela ‘lavagem’) chegam a público trazem a realidade escondida, a verdade não manipulável. Claro que o objetivo maior foi alcançado: “agitar o mercado”, amparado na queda das intenções de voto em Dilma Rousseff.

Ocorre que, tantos foram os pontos perdidos – seis, que representam em torno de 14% sobre os 44% que Dilma detinha em pesquisa anterior do mesmo instituto – que de imediato leva o observador a buscar quem (qual ou quais) dos candidatos se beneficiou da redução. Verifica, então, que nenhum dos postos em campo foi beneficiado, tanto que a Presidente se reelegeria ainda no primeiro turno. Não posta como candidata neste instante, no entanto, se levada à candidatura no lugar de Campos, Marina Silva conquistaria parte da perda de Dilma.

Sinal claro: somente Marina conquista votos tirados de Dilma Rousseff. Então nos vem o pulo do gato, se não estamos enganado. Quem levaria a eleição a um segundo turno? Marina Silva, se candidata no lugar de Eduardo Campos.

Como fundamental para a oposição e seus acólitos (entre eles parte considerável da imprensa, com destaque para Folha, Estadão, Globo, Estado de Minas e quejandos) é que venha a ocorrer um segundo turno como tábua de salvação fica um cheiro no ar de que a “lavagem” que enseja a ‘manipulação’ do resultado esteja voltada para que o PSB tenha Marina Silva como cabeça de chapa.

Falta perguntar a Eduardo Campos o que acha disso! E mais: se concorda.


domingo, 6 de abril de 2014

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS *
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Novamente os EUA intervindo I
Em defesa de interesses (de seus empresários) naturalmente. Várias linhas são o objetivo: inconveniência de uma cabeça de ponte do Brasil no Caribe, com o porto de Mariel, em Cuba; uma refinaria da Petrobras, ainda que pequena, no Texas (escoando pelo Golfo do México) no imediato de bons negócios com derivados. A médio prazo: o domínio do pré-sal e controle do refino, quando as refinarias ora construídas entrarem em operação.

Não duvidemos do grande interesse dos EUA na sangria da Petrobras. Enfraquecida, neste instante, levaria a resultados político-eleitorais (o sonho) e a uma precipitada venda do ativo Pasadena.

Ah! A China começa em breve a abertura de um canal transoceânico na Nicarágua para competir com o do Panamá. Caso não tenha o leitor ainda alcançado o pouco do dito acima analise o mapa abaixo.

Novamente os EUA intervindo I
Passadena é parte do que do Brasil desperta interesse em empresários estadunidenses. Desde que a preço de banana. Ninguém imagina que uma refinaria venha a ser construída com menos de 3 ou 4 bilhões de dólares; imagine adquirir uma por algumas poucas centenas de milhões. Para isso nossa gloriosa imprensa dá sua contribuição. Em contrário, transcrevemos parte do texto de Miguel do Rosário no Cafezinho.



"É incrível que, ao mesmo tempo em que projeta tantos holofotes sobre a refinaria sobre a refinaria de Passadena, no Texas, a nossa imprensa dispense um desprezo solene por qualquer informação concreta sobre o mercado de refinarias nos Estados Unidos.

A repórter da Folha, Isabel Fleck, até que tentou falar no assunto. A enviada especial da Folha à Passadena publicou um artigo em que mencionava o bom momento econômico vivido pela refinaria de Passadena nos dois últimos anos. Mas a ingênua Fleck já foi devidamente bloqueada. Não interessava trazer qualquer notícia positiva sobre o mercado de refinarias e sim cavar escândalos que possam alimentar a oposição no Congresso e desgastar eleitoralmente a presidente. O Datafolha já está na rua tentando detectar declínio de intenção de votos, o que, acho eu, acontecerá fatalmente caso o governo não reaja com transparência e proatividade (que é exatamente o que o governo não está fazendo). é parte do que do Brasil desperta interesse em empresários estadunidenses".
  
Vale tudo real
Não quisemos admitir – não é caso de não acreditar, porque caso pensado não envolve crença – quando lemos na rede, matéria do blog Cidadania veiculada no jornalggn.com.br na quinta 4 a partir de postagem do site Informany da terça 1º, de queDatafolha divulgará pesquisa eleitoral no próximo sábado e promete agitar mercado, sinalizando tendência de queda nas intenções de votos para a presidente Dilma Rousseff.

O detalhe de não querermos admitir residia no fato singular de que a tal pesquisa que agitaria “o mercado” (pré-anunciada, como a anterior queda de popularidade) nem mesmo entrara em campo, já que ocorreria entre os dias 2 e 4 (quarta e sexta).

Matéria do site Muda Mais – reflete a postagem do Cidadania – matou a charada. O Datafolha formulou um extenso questionário para apresentar às suas vítimas, digo, aos seus entrevistados. São 47 perguntas, mas as perguntas sobre intenção de voto são as últimas do questionário”.

O Brasil 47 aprimorou os fatos ao publicar “Datafolha foi feito sob medida contra Dilma”:

Questionário do instituto do grupo Folha, de Otávio Frias Filho, traz uma série de perguntas sobre insegurança, Pasadena e risco de apagão, antes de entrar no que realmente interessa, que é a sucessão presidencial; estrutura das perguntas tende a criar um certo mal-estar no entrevistado e, por isso, deve apontar índices menores da presidente Dilma Rousseff e maiores dos oposicionistas Aécio Neves e Eduardo Campos; resultado sai apenas no sábado, mas a especulação já corre solta na Bovespa, onde as estatais registraram ontem fortes altas

Esta a atuação da valorosa mídia nativa – apoiada nos instrumentos que desenvolve – que repercute na sociedade através dos jornais televisivos como se fosse a verdade factual.

Vale tudo possível
Tanto que nada nos surpreende mais no jogo sujo. Até mesmo lockout – recusa patronal em manter sua atividade, simplesmente chamado de “greve de patrão/empregador” – para atingir o bolso e o imaginário da população carente. Como empresas de ônibus não colocarem seus carros em serviço nos grandes centros sob o argumento de que a tarifa de transporte não está cobrindo seus custos.

Dia desses anunciaram que a Caixa Econômica não pagaria o “Bolsa Família”. Foi um auê. Governo atacado em editoriais, o povo xingando presidente etc.
Imagine a agitação, em ano eleitoral, se um conluio de agentes da CEF – as lotéricas – decidir por não pagar a mesma Bolsa Família no dia em os beneficiários baterem a suas portas no dia do pagamento alegando a baixa remuneração que alegam estar percebendo.

As lições
O que poderia ser posto em dúvida não mais se sustenta. Pelo menos antes se sustentava. A sociedade não mais tem o golpe civil/militar – ressalvados os eternos golpistas – como o fenômeno de importância capital para a história brasileira.

Não é um fato que permanece como o suicídio de Getúlio Vargas e as razões que o levaram ao ato extremo. As mesmas razões que conduziram à deposição do presidente João Goulart, que evitou o confronto para não levar o país a um conflito que, como temia, lavaria de sangue o território pátrio.

A atuação de alguns canais de televisão aberta em editoriais efetivamente constituiu a demonstração de que a extrema-unção na moribunda ‘redentora’ – como adjetivado o golpe que desaguou na ditadura militar – tardou 50 anos, mas começa a se consumar.

Cuida o país de remover os escombros para encontrar mortos e desaparecidos e responsabilizar os agentes do Estado que, no exercício da função, cometeram tortura e morte nos porões do regime. Incluindo os integrantes da sociedade civil que os legitimava e com eles contribuía financeiramente.

Constrói-se a maior lição: que o fato não se repita. Porque os que não tem a Nação como sua fonte existencial permanecem em busca da oportunidade que estão a criar cotidianamente. Utilizando-se dos mesmos meios (revistas, rádios e televisão) onde atualmente execram aquele que alimentaram.

Joaquim Barbosa desnudado I
Particularmente nunca entendemos o porquê de o ministro Joaquim Barbosa exercitar violações a regras jurídicas – assumindo, inclusive, uma postura autoritária – para assegurar algumas condenações no julgamento da AP 470, quando acusados os denominados integrantes do núcleo político. Mentiu e defendeu mentiras. A ponto de defender, quando questionado no curso do julgamento, que Martinez morrera em dezembro de 2002 quando o fora em outubro. Tudo para assegurar a aplicação de lei posterior ao falecimento que assegurava punição maior para o crime de corrupção ativa e passiva.

Em mais de uma oportunidade registramos em texto que somente entendíamos a postura de Barbosa sob viés psicanalítico: de que não perdoava o PT por havê-lo indicado por ser negro e não por seus méritos jurídicos.

Afirmamos, também, que suas inconsequentes atitudes – secundadas pela maioria que então dominava a Corte (5 x4) – estavam a desmoralizar o STF como instituição.

O segundo caso vai, a cada dia, mais se escancarando. O castelo construído por Barbosa nem mesmo foi de pedras sobre areia, mas de papel sobre um pântano. Assim que umedecido se desmancha.

Faltava-nos algo em torno da personalidade complexada de Joaquim Barbosa por sua condição de negro. E nos vem um texto de Nirlando Beirão (Carta Capital n. 793, p. 76), analisando a entrevista concedida pelo ministro na reestréia do programa Roberto D’Ávila, agora no Globo News, na virada do sábado 23 para o domingo 24 de março.

“D’Ávila, com luvas de pelica, jogava a isca e Barbosa, encouraçado em sua arrogância, nem sequer percebia. D’Ávila indicava, na delicadeza das perguntas, saída lisonjeira para a resposta:”O senhor lê muito, não é? Balzac?” Barbosa estufou o ego: “É, Balzac”. E mais não disse. “O que o senhor escuta?” “Tudo.” “Beatles ou Rolling Stones? “Os dois”.

O único momento em que Barbosa demonstrou alguma emoção foi ao falar de racismo. Daquele jeito. O rancor pauta a vida dele. Deve ter sido mesmo muito humilhado, Sugeriu até que Lula nomeou-o para o STF de olho na cota, não em reconhecimento por seu currículo, brilhante, comopolita”.

Joaquim Barbosa desnudado II
Confissões de Joaquim. Infância rígida, pai “bastante rígido” (talvez a fonte do desequilíbrio psíquico não superado pela academia). ‘Um pouco rebelde’ apesar ‘de extremamente tímido’. Fato palpável: apresenta dificuldade em fixar os olhos do entrevistador.

Responde o mínimo em relação à pergunta, um mínimo vazio no mais das vezes; completa respostas com pergunta complementar do entrevistador. Nada acresce de substancial. Roberto d´Ávila massacra Joaquim Barbosa quando deixa-o falar; salva-o quando o interrompe. O riso contido do entrevistador é um relatório mudo do que acontece.

Definimos a circunstância de típica melancolia intelectual a que levado o telespectador que assistiu Joaquim Barbosa. Não chega a ser uma ‘mente indigente tirada a inteligente’ – como diria Stanislaw Ponte Preta – mas não é a mente supimpa que pintaram dele. Também não o afirmemos um detento de ‘cultura de almanaque’. Talvez apenas um poliglota de quatro idiomas apenas.

Joaquim Barbosa desnudado II
Certamente Joaquim Barbosa pode ter sido aconselhado a não se meter na política, principalmente onde tenha que debater. Não há equipe que o salve num debate eleitoral.

Louve-se a educação e a gentileza do entrevistador Roberto D’Ávila e teria destruído completamente a biografia de Joaquim Barbosa. Bastava aprofundar em torno das contradições e das omissões levantadas por Barbosa durante a entrevista.

Detalhe aos 15 minutos da entrevista e as contradições a partir dos 38.

Caso tenha o estimado leitor a paciência necessária – até para contraditar o editado por Nirlando Beirão – acesse o vídeo http://www.youtube.com/watch?v=081Zh1LZxXo

Findou-se o prazo
E finou-se a oportunidade de Joaquim Barbosa sair candidato a presidente e de que viesse a assegurar um segundo turno para a eleição presidencial. Os fatos recentes contribuíram para isso, com o despencar da imagem de Joaquim Barbosa e a importância que exerceu quando tutor da AP 470.

A falência do material se consumou. O malabarismo não deu certo.

Fortalecendo
Novamente nas mãos de Joaquim Barbosa a destino de José Dirceu no que diz respeito ao direito de trabalhar, assegurado em lei. Permanece a exceção como regra.

José Dirceu sairá da prisão – se Joaquim deixar – em novembro de 2014. Mais forte politicamente do que quando entrou.

Fortalecido/vitimizado a cada perseguição de Barbosa.

Pirâmide na rede
Com míseros R$ 2,00 depositados “alegremente para cada uma das sete pessoas de lista abaixo” o maravilhado ‘vencedor’ convoca o caro leitor a participar de um ‘programa de auto-ajuda financeira’ que em torno de três meses traouxeram para a sua conta (dele) um total que supera 598 mil reais.

Que maravilha!

Quem quiser que entre.

Quosque tandem I
A força do PCdoB na administração municipal é fato notório. Partido que se juntou ao do atual prefeito nos primeiros instantes teria, inclusive, contribuído para a arrecadação de recursos financeiros que custearam a campanha vencedora, chegando mesmo alguns a afirmarem que ele sozinho (leia-se, Davidson Magalhães e Bahiagás) capitaneou a quase totalidade das contribuições.

Tal força tem sido vista – ainda que partido de quadros limitados quantitativamente – na composição de escalões do governo municipal. Sua expressão é tal que o vice-prefeito aparece em nível de representação do Executivo como nenhum outro na história político-administrativa itabunense.
A Secretaria de Saúde do município parece ser sua menina-dos-olhos. Teria sido exigida ‘de cabo a rabo” como dote de campanha, o que ainda não está consumado por não deter absoluto controle sobre algumas áreas.

Sua força é tal que apesar de existir na administração municipal um dos mais competentes administradores de saúde –  o ex-secretário Paulo Bicalho – não foi possível ocupar a secretaria, limitada a sua atuação à gestão do Hospital de Base.

Quaosque tandem II
Veiculado na rede (Pimenta) que o partido pretende substituir um coordenador administrativo do Samu (que é enfermeiro) por um ex-candidato da sigla a vereador (não sabemos se também enfermeiro, ou médico) a pedido do próprio secretário de saúde. Também alvo dos comunistas a direção do Hospital de Base.

Os próximos dias dirão sobre as pretensões do PCdoB.

O que a sociedade sabe (pode não querer dizer) é que os recursos destinados à saúde despertam o interesse de políticos. Ainda que entendam – pelo que dizem – ser um ‘problema’.

A saúde como ‘problema’ atrai o PCdoB. Que ainda não o resolveu em nível de Itabuna depois de 14 meses de gestão.

Talvez – quem sabe? – porque não dispõe do controle dos recursos financeiros do Samu e do Hospital de Base.

História
Quosque tandem (até quando) – diria Marcus Tulio Cicero ao Catalina grapiúna – abutere patientia nostra (abusará da nossa paciência?).

Catilina pretendeu derrubar a República. Afastou-se do Senado e montou um exército para consumar o intento. O discurso de Cícero, proferido no Senado e para o povo fragilizou a ação de Catilina. Que morreu no campo de batalha, um ano depois da insurreição.

Deixamos ao leitor a identificação do Catilina grapiúna. Que pode – caetanicamente – ser ou não ser.

Cicero acusando Catilina no senado (Afresco de Cesare Maccari, século XIX)

Venezuela
Apraz-nos falar da Venezuela. Pelo que tem feito as administrações Hugo Chaves nos diferentes campos. Inclusive o cultural. Hoje existem mais de 300 mil crianças e jovens em milhares de filarmônicas e orquestras sinfônicas pelo país. Certamente ajudando-os a sair dos guetos sociais em que viviam. E correndo o mundo em apresentações. Onde aplaudidas de pé. Nada disso mostra a nossa imprensa quando escreve sobre a Venezuela.

Convidamos o leitor não a ouvir, necessariamente, mas a ver o vídeo abaixo, de exibição em Salzburgo-Áustria, da Orquestra Sinfônica Infantil Nacional da Venezuela, regida por Simón Rattler (Diretor da Filarmônica de Berlim). Depois de Rattler, rege-a por uns instantes o jovem Jesús Parra.

Imagine-se no lugar dos pais dessas crianças. E a dimensão de autoestima de todos.


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* Coluna publicada aos domingos em www.otrombone.com.br

sábado, 5 de abril de 2014

Pobres de espírito

Em busca de Mefistófeles II
Tratamos, em postagem de ontem, na pessoa de Aécio Neves Neves, do nível a que chegamos no plano das ideias diante das candidaturas postas em oposição à reeleição de Dilma Rosseff. O discurso eleitoreiro supera o debate, a discussão que o instante democrático exige. Naquela oportunidade levamos o leitor ao traduzido por Mônica Bérgamo em sua coluna.

Não nos bastava o espanto e ontem nos debruçamos em matéria da Revista Fórum veiculada no jornalggn.com.br com a chamada "Aécio Neves se declara a favor da redução da maioridade penal". O que é estranho é o fato de o senador mineiro, em segundo mandato, não haver anteriormente em nenhum momento se manifestado em torno do tema, fazendo-o no calor do debate eleitoral quando redução da maioridade anda insuflada pela mídia como panaceia para o problema da violência.

No calor da emoção, em detrimento da razão, ninguém cuida de levantar o problema pelo prisma das razões por que tal ocorre. Muito menos é trazido ao debate um outro fato: o de que, em nível de homicído, por exemplo, a participação de menores não chega a 2%.

Melhor percebamos o oportunismno de Aécio a partir da matéria veiculada no GGN:

Aécio Neves se declara a favor da redução da maioridade penal

Jornal GGN - Em encontro com empresários nesta terça-feira (2) o pré-candidato à presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves (MG), declarou que é a favor da redução da maioridade penal e que vai levar tal bandeira ao debate eleitoral. Aos presentes, Neves disse que apoia a “proposta do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP)” que, vale lembrar, foi rejeitada pelo Senado por ser considerada inconstitucional.
“Eu defendo a proposta do senador Aloysio, inspirada na proposta do governador Geraldo Alckmin”, disse Aécio aos empresários presentes no evento do Grupo de Líderes Empresariais (Lide). De acordo com o projeto do parlamentar paulista, jovens com idade entre 16 e 18 anos que cometerem crimes violentos ou reincidentes devem ser julgados pelo Judiciário e condenados a mais de três anos de cadeia, o que contraria o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), que estabelece a duração máxima de três anos para medidas socioeducativas. O pré-candidato tucano disse que é necessário “enfrentar” essa discussão.
Recentemente, o programa Alexandre Garcia, do canal a cabo Globo News, promoveu debate com Aloysio Nunes e a professora Beatriz Vargas a respeito do projeto tucano à redução da maioridade penal. Ponto por ponto, a professora desconstruiu o projeto e disse que o texto reforça a velha lógica de diálogo com os jovens, onde, “antes de apresentarmos a escola, nós chegamos com a viatura”.
Em fevereiro deste ano, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) rejeitou o projeto de lei do senador. À época, a comissão considerou o projeto inconstitucional, pois, no entender do colegiado, ele fere os direitos das crianças e dos adolescentes.
O nível da campanha está posto. Não antecipamos a dimensão a que chegará.

Retornando ao fato concreto desta postagem ficamos no aguardo da reação da OAB, CNBB, etc.

E o próximo passo de Aécio Neves. Que pode ser a defesa da implantação da pena de morte no Brasil

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Pobres de espírito

Em busca de Mefistófeles
O vazio de lideranças deixa a eleição presidencial naquele viés de ser a favor da permanência de Dilma ou de ser contra 'porque não gosto do PT'. Essa a tristeza que acomete o quadro político atual se trilhamos pelas candidaturas postas, observando-as sob o prisma das que se destacam, diante das falas recentes anunciando os compromissos que passaram a assumir.

Nomes como os de Eduardo Campos e de Aécio Neves, que trouxeram em cada instante de disponibilização a idéia de que representariam algo novo – não pela ótica revolucionária, mas da proposta de gestões que pudessem se ofertar como contraponto político (sem romper as políticas sociais) a um período de 13 anos que – gostem ou não, admitam ou não – está presente no imaginário de parcela considerável da sociedade em razão das ações que a esta beneficiaram – caíram na mesmice do poder pelo poder desde o instante em que perceberam, através das pesquisas, que não traduziam o apelo que imaginavam levar ao convencimento do eleitorado. 

Mais simplesmente, que não tinham ouvintes para o discurso que imaginavam para eles ensaiado.

Percebe-se a falta de grandeza política, de compromisso com o país e, por resto, para com o povo. Típicos peregrinos em busca de Mefistófeles contemporâneo negociam com quem quer que seja – ofertam-se à sedução, quando se imaginam sedutores – em busca do retorno à Idade Média, instante em que aquele nasceu. 

Oferecem-se (burlados pelas pesquisas) como o cientista frustrado do Fausto, de Goethe, assegurando retorno de privilégios (muitos recentemente extirpados da política nacional, quando menos, em muito reduzidos).

Caso o leitor duvide, leia Mônica Bérgamo, na Ilustrada da Folha desta quarta 2, “Aécio: estou preparado para decisões impopulares” http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/159317-monica-bergamo.shtml

Pela mediocridade de compromisso - além de saciar o próprio bolso daquela platéia extasiada com a fala - se percebe quão pobres de espírito andam esses candidatos.

Por que não insistimos com alguma referência a Eduardo Campos e nos debruçamos em Aécio? É que a cara de Aécio é a mesma de Campos. Afinal seus discursos afinaram-se em busca de seduzir o mesmo público.

Caso fizessem por merecer tornarem-se personagens da literatura Aécio e Campos não passariam de Faustos encantados com a possibilidade de serem agraciados por Mefistófeles.


quinta-feira, 3 de abril de 2014

A verdade

É dura
No rescaldo das lembranças dos 50 anos do golpe civil/militar que desembocou na ditadura nada civil (o civil apenas a legitimava dando aqui e ali um vice-presidente que não podia assumir, como aconteceu com Pedro Aleixo, em 1969, quando do afastamento de Costa e Silva) temos de perceber que não estão encontrando respaldo os que visam um ‘retorno’ da dita cuja.

Mais se fortalece nossa opinião a partir de dois fatos – que destacamos – dentre muitos: o fracasso das comemorações alusivas ao golpe e a reação que a imprensa começa a exibir.

No que diz respeito às comemorações, falaram por si. Quanto à imprensa muito há de ocorrer para que seja materializada a sua catarse (religiosa, porque a aristotélica não será possível neste plano terrestre), ainda em fase de choro profundo (em que pese cínico). Afinal, difícil – muito difícil, se não impossível – a Folha de São Paulo explicar/justificar a razão por que disponibilizava veículos da empresa para atuar na repressão, tocaiando ou transportando os que questionavam/enfrentavam o regime para os porões da tortura e da morte.

Muita água há de rolar por debaixo desta ponte maturada na indignidade e na vileza. Temerão, por certo, os que a sustentaram na iniquidade, que todos tenhamos conhecimento dela e percebamos que o que dizem (em seus editoriais) contra o governo atual pode ser a repetição do método utilizado contra o presidente João Goulart.

Afinal, os interesses que defendem são os mesmos, hoje como ontem. E, como dizia Darcy Ribeiro, Jango ameaçava as classes dominantes, não porque pretendesse extingui-las, mas porque desejava reformas, dentre elas a urbana, a da educação e a agrária, o que as elites de então (como as de hoje) não admitem. Porque povo ideal para elas é povo despossuído, faminto, desempregado, analfabeto.

Sob seu viés canhestro a riqueza deve ser concentrada, nunca distribuída. Quanto mais miséria mais fácil o controle. Em vez de emprego, a esmola para submeter o desgraçado a sobreviver até que a morte severina o leve. E, para maior grandeza, voltarmos a ser colônia, ainda que país independente. Como slogan, ‘tudo em defesa da senzala social’. Basta, para esse particular, o retorno à magnífica teoria do guru FHC: a da dependência. Que vemos sob viés nelsonrodrigueano, na manutenção do complexo de vira-lata.

Não nos enganemos. Algo ocorre de bom nesse país. Tanto que a busca da ruptura de uma proposta político-administrativa voltada para mais igualdade de oportunidades se encontra permanentemente trombeteada pela imprensa – que hoje se confessa e faz mea culpa pelo passado. Olhando pelo espelho da história recente percebemos então – pelas lições aprendidas – que se alguns (como eles/ela) querem o de antes é porque o de agora está melhor.

Pagará a imprensa por sua postura. Não há espírito de vingança contra ela. As pedras que os diferentes meios de comunicação/informação jogaram/jogam para cima hão de cair sobre suas cabeças. É a lei universal da gravidade.

Em 2013 manifestantes escancaravam a expressão “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”. Em 2014 muitos dos órgãos que agiram como o Globo – que no imediato das manifestações de junho promoveu seu mea culpa em editorial, assumindo o apoio e reconhecendo-o como erro – começam, cada um, a sua confissão de culpa.

Nesse sentido a Globo não mais está sozinha no imbróglio e não será surpresa nos próximos desdobramentos de rua encontrarmos uma faixa com “A verdade é dura, a grande imprensa apoiou a ditadura”. 


quarta-feira, 2 de abril de 2014

Ainda que seja

Para inglês ver
Anunciada a criação de comissões de sindicância, pelas Forças Armadas, voltadas para investigar a realização de tortura e mortes em instalações militares durante a ditadura. A iniciativa atende solicitação da Comissão Nacional das Verdade a partir de depoimentos prestados à Comissão e que declararam terem sido torturados e saberem de mortes praticadas em quartéis das forças armadas em pelo menos sete instalações localizadas no Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Belo Horizonte. (Agência Brasil).

O prazo de trinta dias para apresentarem resultados nos leva a concluir que dificilmente serão alcançados os objetivos pretendidos: a confirmação materializada de que "graves violações de direitos humanos – em especial tortura e práticas ilícitas que, em muitos casos, redundaram nas mortes das vítimas – ocorreram de forma mais intensa ao longo das décadas de 1960 e 1970” em instalações do próprio Estado, sob responsabilidade de seus agentes.

No entanto, por demais simbólico que tal esteja a ocorrer. Justamente por envolver as próprias Forças Armadas, responsáveis por liderar a iniciativa do golpe civil/militar e que assumiram o poder aniquilando as instituições democráticas então vigentes e instalando uma ditadura militar que durou 21 anos. 

Aprofundada em 1968, com a edição do Ato Institucional n. 5, denominado de "golpe dentro do golpe", a radicalização extrema, quando todos que não rezassem em sua cartilha se tornavam inimigos da Pátria e o regime de exceção sentia-se livre para decidir sobre suas vidas.

O extremo reside justamente no fato de que aqueles que enfrentavam pelo debate de ideias a destituição de João Goulart pelo militares passavam a constituir-se escória do país, ainda que jovens, trabalhadores e intelectuais.

Particularmente duvidamos que os resultados pretendidos venham a ser plenamente alcançados. Mas não deixa de ser uma vitória da democracia. E, provavelmente, o início de uma catarse retarda no curso destes 28 anos de redemocratização.

Ainda que seja para inglês ver, melhor que seja assim!

Destruindo álibis
A justificativa e a desculpa (se o há para tantos absurdos cometidos) residia no fato de que o regime enfrentava resistência armada, sustentada numa guerra interna que precisava ser combatida.

Sabido e consabido que a resistência armada ao golpe decorreu de não mais bastarem ao regime ditatorial implantado as cassações de mandatos de parlamentares democraticamente eleitos e a cassação de seus diretos políticos por dez anos, mas de serem lançados na clandestinidade todos os que pensavam diferente da 'doutrina' do regime, não lhes restando (ainda que não tantos como anunciam ter havido) outro caminho se não a resistência.

Recente levantamento da Comissão Nacional da Verdade demonstra que, somente no Rio de Janeiro, foram identificados "ao menos 371 casos de tortura entre 1964 e 1966, período que antecede, segundo estudiosos, a resistência à ditadura pela luta armada. Segundo o levantamento, feito com base em pedidos de reparação à Secretaria de Direitos Humanos do RJ, os torturados, à época, eram trabalhadores e pessoas ligadas ao movimento sindical, não guerrilheiros. (Do G1)

Vão caindo os muros da mentira - deslavadamente alimentada pelo regime ditatorial e divulgada à saciedade pela imprensa que apoio e legitimou o golpe.

Da essência do golpe - isso o que vai se confirmando a cada dia - a eliminação dos adversários.

"A mentira tem perna curta" - diz a sabedoria popular. Ainda que dure quase três décadas.