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terça-feira, 22 de abril de 2014

O vai-e-vem

Do-sai-não-sai
Há uma obra antológica na literatura nordestina. Não dentro do gênero que a tornou singularmente representativa em nível nacional a partir de "A Bagaceira" (1928), de José Américo de Almeida, seguido de Raquel de Queiroz, Jorge Amado, Graciliano Ramos e José Lins do Rego, que lhe dão o contorno do definitivo reconhecimento.

Não é desta seara o que buscamos. Mas de "Zé Limeira, o poeta do absurdo", do paraibano Orlando Tejo, o marco divisor do reconhecimento do 'cantador', registrado em livro, como nuance concreta da cultura nordestina. "Zé Limeira..." - diz o próprio Tejo - não foi livro fácil de chegar ao público. Tantas as idas e vindas de seu rascunho por editoras do país, a ponto de registrar na abertura da obra o que denomina de 'vai-e-vem-do-sai-não-sai".

O ano eleitoral já encontrou o mote: uma CPI para a Petrobras - como o quer a oposição - ou mais além, também envolvendo trens e metrôs de São Paulo e porto de Suape, em Pernambuco, como o deseja a situação. É a notícia do dia, a cada dia esquentada com o que de folhetinesco cada troupe queira apresentar.

Mas mexer com fogo em monturo leva a não se saber de que ponto brotará chama. Na sagrada instituição partidária brasileira hoje ninguém pode se arvorar de santo. Aí onde reside acender fogo no monturo.

Uma figura transita no entorno de tudo e pode botar fogo no mundo se resolver falar o que sabe e sobre quem com ele convive(u). Hoje aqueles que a oposição quer atingir; ontem, ela (oposição) pode ser a alcançada. No centro o mesmo Yousseff e seu famoso jatinho, que serve aos amigos. A vítima de agora é André Vargas, do PT. Ocorre que - dizem os registros - o senador Álvaro Dias, vocacionado Catão do PSDB, usou o jatinho do doleiro. Não para veranear, mas para sua campanha em 1998.

Voltando a Petrobras - quem sabe? - pode por uma dessas perguntas qualquer a CPI ver citado o nome de Alberto Youssef. Tudo porque onde há dinheiro - e suspeita de desvio - necessariamente há um paraíso fiscal a ser encontrado, sob conduto de um doleiro.

Foi assim que ocorreu na CPI do Banestado. Como lembra matéria publicada na Isto É de 12.02.2003, por lá apareceu dinheiro tucano em meio a outros. A melhor solução foi fazer as conclusões da CPI darem em (quase) nada. O tema também foi objeto de atenção de Amaury Jr. em "A Privataria Tucana". Mas, vamos ao que editou a revista, a partir de Foz do Iguaçu:

"Documentos a que ISTOÉ teve acesso começam a esclarecer por que o laudo de exame financeiro nº 675/2002, elaborado pelos peritos criminais da PF Renato Rodrigues Barbosa, Eurico Montenegro e Emanuel Coelho, ficou engavetado nos últimos seis meses do governo FHC, quando a instituição era comandada por Agílio Monteiro e Itanor Carneiro. Nas 1.057 páginas que detalham todas as remessas feitas por doleiros por intermédio da agência do banco Banestado em Nova York está documentado o caminho que o caixa de campanha de FHC e do então candidato José Serra, Ricardo Sérgio Oliveira, usou para enviar US$ 56 milhões ao Exterior entre 1996 e 1997. O laudo dos peritos mostra que, nas suas operações, o tesoureiro utilizava o doleiro Alberto Youssef, também contratado por Fernandinho Beira-Mar para remeter dinheiro sujo do narcotráfico para o Exterior. Os peritos descobriram que todo o dinheiro enviado por Ricardo Sérgio ia parar na camuflada conta número 310035, no banco Chase Manhattan também em Nova York (hoje JP Morgan Chase), batizada com o intrigante nome “Tucano”. De acordo com documentos obtidos por ISTOÉ, em apenas dois dias – 15 e 16 de outubro de 1996 – a Tucano recebeu US$ 1,5 milhão. A papelada reunida pelos peritos indica que o nome dado à conta não é uma casualidade".

Nitroglicerina pura. Que ainda não acabou de explodir. E pode gerar rastilho nas CPIs que muitos anseiam. E hoje não gostariam de ver instalada.

O que em muito justifica o 'vai-e-vem-do-sai-não-sai' de que falava Orlando Tejo. Só que dele não sairá nenhuma biografia de cantador.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Torcida

Na Assembleia Legislativa
A indignação e a revolta campeiam na torcida do Esporte Clube Bahia. Até boicote à compra de ingressos para jogos do time. Campanha para ninguém botar defeito. Afinal, perder é normal; mas de goleada para o Vitória, pela segunda vez em poucos dias, clama aos céus.

O Bahia Notícias confirma que o deputado Uziel Bueno conseguiu 24 assinaturas (precisava de 21) para a instalação de uma CPI para investigar clubes de futebol no estado, o que nos leva a compreender como recado direto para o tricolor e seu presidente, tido neste instante - já que demitir técnico não resolveu o problema - como principal alvo da torcida.

De nossa parte - atentando para a CPI que alcança número de assinaturas para ser instalada - temos que não foram assinaturas de deputados, mas de torcedores do Bahia.

A Assembleia Legislativa se torna, assim, o último bastião para salvar o tricolor de aço. Se houver tempo!

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Faltando argumento

Apelando
As alegaçãoes do Procurador-Geral da República, quando instado a explicar as razões por que engavetou o inquérito originado da Polícia Federal, desde 2009, e que resultou em prisões em fevereiro deste ano à sua revelia, quando desbaratada a quadrilha de Carlinhos Cachoeira, manifestam típica apelação, por falta de argumento.

Aos que desejam que explique perante a CPI os fatos que depõem contra ele, pela inércia funcional, responde que pretendem encobrir o julgamento do "mensalão".

Bem melhor seria explicar. Bem direitinho! Para ver se convence.

domingo, 22 de abril de 2012

DE RODAPÉS E DE ACHADOS- Dia 22 de Abril

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
AdylsonQuando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  
Adylson Machado

                                                                              

“Sem foguetes”

As farpas lançadas por Joaquim Barbosa contra César Peluso – em revide as deste, disse-o aquele – são dignas de opera buffa ou de acaloradas discussões em associações de condomínios de pouca expressão.
O detalhe reside em que ambos são Ministros do Supremo Tribunal Federal.
Como metáfora aquela que institucionalmente é a mais alta Corte do País não anda passando de um “condomínio”.
E com uma nostalgia de casa-grande!

Quando interessa

folhaA desqualificação da CPI recentemente instalada sinaliza grandes interesses em jogo. A primeira página da Folha de São Paulo diz tudo.
A razão está no fato de que um dos tentáculos da CPI tende a desaguar na mídia, a partir dos métodos utilizados pela revista Veja e que não são estranhos a outras publicações.
No fundo, no fundo... defesa prévia.

 

Crimes I

Nada contra a fonte de informações deste ou daquele órgão jornalístico. O que não se tolera, como tem tudo para ser comprovado, que se utilize de serviços sujos e criminosos, pagando por eles, para gerar matérias que não se comprovam muitas vezes, como o famoso “grampo sem áudio” da Veja.
Por tais linhas, se a CPI levar a fundo o que diante dela se disponibilizará, Roberto Civita dificilmente escapará de um processo criminal. O que outros pares da mídia... também receiam.
Dirão, como defesa, partindo para o ataque, que isso é censura.
De nossa parte, gostaríamos de ver uma CPI específica para apurar as criminosas ações da Veja.

Crimes II

Ainda viva na memória dos que não se deixam convencer por certas matérias jornalísticas, que a atuação da Veja em recentes fatos alimenta a certeza –já vislumbrada – de que estava a serviço do crime organizado e da desestruturação do Estado de Direito.
Não sozinha. Políticos e membros do Judiciário acobertavam suas ilações. O estrago causado só o futuro dimensionará. Lembraremos um desdobramento.
O delegado Paulo Lacerda, responsável por transformar a Polícia Federal numa entidade eficiente na luta contra a corrupção e o crime organizado, assumiu a ABIN pretendo dotá-la dos instrumentos mais modernos para contribuir àquele combate.

Crimes III

Quando a Satiagraha estava produzindo seus frutos estouraram com ela e com Lacerda. Quem pelo meio? A Veja, partindo de denúncias sem qualquer elemento de convicção, mas que atendia aos interesses do crime.
Os fatos estão sendo comprovados: Daniel Dantas, Demóstenes Torres, Gilmar Mendes e mesmo Nelson Jobim integram o grupo que precisa explicar por que tudo aconteceu e como aconteceu.
Grampos sem áudio e o falso alarme de que havia escuta ilegal no STF (Gilmar Mendes, então presidente do STF) contribuíram para arquivar temporariamente a luta contra o crime organizado desencadeada por Paulo Lacerda.
Em síntese, a Veja se aliou a esquemas como o do Opportunity (Daniel Dantas) e o de Carlinhos Cachoeira, que se jacta de ter fornecido a ela as matérias.
Apurar isto não é ferir a liberdade de imprensa. É protegê-la de bandidos.

O que se espera

dukeA CPI acabada de instalar, se levar a sério as apurações imediatas e aquela que lhe seguirão a partir de depoimentos a ela prestados, tem tudo para se tornar o instrumento para passar o Brasil a limpo. (Este, por sinal, o perigo de dar em nada, como a do Banestado, a das Empreiteiras etc.).
Poucos escaparão. Certeza mesmo para quem for operador de telemarting. Que dispõe do melhor álibi!

cartaDiz tudo

A capa da revista Carta Capital expressa o desdobramento que se espera ocorrer a partir da CPI de Cachoeira. Cada um dos quadros que a compõe reflete uma categoria para apuração.
Lá estão todos os poderes.

Construindo imagens

O ex-diretor do DNIT, Luiz Antônio Pagot, em entrevista ao repórter Gerson Camarotti, do Jornal das 10, jogou indiretamente o PR na lista de suspeitos no esquema de Carlinhos Cachoeira, ao afirmar que Valdemar da Costa Neto se constituía num “verdadeiro agente da Delta”. A empresa está no olho do furacão que vem por aí.
Tais relações espúrias levantam suspeitas lá como cá. Aqui por outros vieses, por não entendermos as razões por que Geraldo Simões anda com tanta força junto a BAMIN, a ponto de determinar, e ser atendido, a demissão do jornalista Ricardo Ribeiro, que para o deputado não se dedica ao seu esporte preferido – “amigos” amarrando os seus cadarços.
Como lá, por cá Geraldo Simões se ensaia futuro “agente” da BAMIN.

Não ficou bem

A suspeita, até agora não desmentida, alimenta uma imagem profundamente negativa de Geraldo Simões. Em passado não tão distante GS marcou pontos em sua vida política porque pautado em atitudes republicanas. O respeito às opiniões adversas faziam-no diferente do coronelesco carlismo Bahia a fora.
Anda acusado de perseguir quem não comungue com seu primado, o de construir uma dinastia. Tais atitudes não coadunam com a imagem que Geraldo desenvolveu no passado.
O detalhe fica por outro aspecto: Juçara vinha apresentando quedas para inquisidora e perseguidora, pedindo cabeças aqui e ali. Mas Geraldo!
O que é isso companheiro!

Fazendo água

Triste ver-se pessoas que matavam e morriam por Geraldo afastarem-se de sua liderança política. Ouvimos, neste sábado, de uma militante petista de primeira hora, que não votará este ano.
Para não votar contra Geraldo e seu PTdoG prefere não ir às urnas.
Um singular voto contra GS dentro do PT.

Reconhecido, mas esquecido

José Oduque Teixeira é lembrado por todos os contemporâneos de sua administração (1973-1977). Façanhas, hoje, como de pagar o que o município devia à Santa Casa – a ponto de fazer com que uma recomendação/indicação da Prefeitura tornasse o paciente destinatário de um tratamento “muito especial” – de não deixar débitos, de não haver se beneficiado da gestão, de nunca ter vendido algo de suas empresas à prefeitura, de haver construído uma sede etc.
Só há boas lembranças e elogios a José Oduque. Mas ninguém lembra ou o recomenda para candidatar-se em tempos de escassez de homens de bem para gestão da coisa pública.
Reconhecido, sim; mas, esquecido. 

Péssima aquisição

Geraldo agrega ao seu arsenal de estratégias políticas a perseguição àqueles que entenda como adversários/inimigos.
E como se apresenta como a “bondade” personalizada, todos os atuais perseguidos são uns ingratos, tornaram-se “gente” através dele.
Quer exclusividade, como ocorre com a Difusora. O profissional para ele não deve ser profissional mas “amarrador de cadarço”.

Excelente

Acessar o sítio http://www.excelencias.org.br/ é um excelente exercício para qualquer cidadão. Veicula informações sobre políticos que vão desde ações a que responde, patrimônio, ganhos no exercício da função, gastos, contribuições para sua campanha ou para a de outros candidatos.

GS no excelências.org

Descobrirá, por exemplo, que a variação patrimonial de Geraldo Simões entre 2006 e 2010, penúltimo mandato, foi de 77.501,35 e que possui um patrimônio declarado de 419.501,35.
Essa a razão material, não fora a legal, de não poder comprar a Difusora: falta de dinheiro. Daí precisar de amigos!

Pão duro

No mesmo espaço descobrirá o tamanho do pãodurismo de Geraldo. Sua valiosa contribuição financeira para a mulher, na campanha de 2008, alcançou a astronômica cifra de 24.995,00 reais.
Talvez essa a razão do entrevero entre mulher e marido no imediato do resultado eleitoral, quando Azevedo alcançou uma dúzia de milhares de votos... de frente sobre Juçara.
Ela atribuiu a ele toda a culpa pelo resultado. (E tinha toda razão. Afinal, tão pequena contribuição financeira e aquele estranho apoio de Capitão Fábio em cima da hora, mais pareceram coisa de inimigo, não de marido).

Leninha

Leninha Alcântara ainda continua no palco. Procurando um personagem. E desfazendo o script.

Pulo do gato

Já saíram os vários que se enfeitavam pré-candidatos pelo PMDB. Caso saia Leninha, confirma-se Renato Costa.
Aquele tertius de que falamos neste espaço. Que tem tudo para ser vice de outrem.

É só aguardar

Grande rede de supermercados aportará em Itabuna. Já comprou terreno para se instalar.

Alerta amarelo

Nesse instante do processo eleitoral, ainda que pareça distante o mês de outubro, qualquer fato, por mais insignificante que seja, pode tornar-se bola de neve.
A possível responsabilidade de Wenceslau Júnior a partir de apurações sobre empréstimos consignados deve acender a luz amarela do cururu.
Vane aguarda futuras pesquisas. E a manutenção do compromisso anteriormente assumido.

Desastrosa

A interferência de Geraldo Simões na gestão da BAMIN, que desaguou na demissão do jornalista Ricardo Ribeiro, expôs as vísceras da promiscuidade nas relações de empresas com políticos. Essa promiscuidade estará na pauta, que ninguém se engane, da CPI recém instalada no Congresso.
Ponderadas as dimensões, em nada diferem das relações de Demóstenes Torres com Cachoeira as de Geraldo com a Bamin. Ambas simplesmente revelam a maléfica atuação do poder político junto à iniciativa privada, encantada esta em poder servi-lo, por constituir-se instrumento de controle e de poder.
As empresas, esperando as benesses e facilidades oriundas do poder; os políticos – e lamentavelmente Geraldo Simões se escancara em demonstrá-lo – em busca de vantagens que, quando não são escusas e indecorosas, asseguram contribuições para campanhas políticas.

Sublimando

Os velhos coronéis jactavam-se de terras e homens a eles submetidos. O poder político na esteira chegado pelo controle exercido sobre um punhado de votos no cabresto, fazendo-os necessários – porque este o processo que alimentava o sistema da época – para sustentar o governo “na Bahia”. Marcionílio de Souza, em Maracás, Horácio de Matos, na Chapada Diamantina, e os Horácios do cacau das terras-do-sem-fim.
Em tempos ditos modernos não mais encontram terras e jagunços como poder. Mas o encontram no controle espúrio entre o poder político angariado através de um mandato e empresas.

Qualquer coisa ajuda

Em tempos de centenário de Jorge Amado anda o ferradense Geraldo Simões querendo revisitar as terras-do-sem-fim de Horácio da Silveira, que se “estendiam de Ferradas até muito longe”, como o escreveu Jorge Amado.
Difícil está viver o sonho de ser coronel da República Velha, ter casa-grande, quando já não basta o cacau regado e adubado a sangue.
Mas para quem não tem “terras-do-sem-fim” uma BAMIN já ajuda.

O bom samba da Bahia

Para os que andamos cansados com o lugar comum que norteia o noticiário e não dispomos de equipe para pesquisar o que nos interesse publicar reconhecemos o atraso na informação que afeta a música brasileira, a partir do samba da Bahia.
Ederaldo gentil morreu no dia 30 de março, aos 68 anos.
Nosso tributo ao grande compositor, que encheu as noites de Adelzon Alves quando tinha programa na rádio Globo, que o cultuava, onde ouvimos pela primeira “O Ouro e a Madeira”.

Cantinho do ABC da Noite

cabocoUm “aluno”, que há tempos não aparecia, depois de cumprido o ritual, reencontra um parceiro, entabulando diálogo justificador da prolongada ausência, que avança para o expressar:
– É verdade! Ando escasso por aqui!...
A precisa intervenção alencarina refletiu outra realidade:
– Minha preocupação não é a sua “escassez”, Cabôco – investe Alencar – mas o risco de perder o vício. Aí você me quebra e aos concorrentes.
_________________
Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Consumado

Nada no escuro
Para que todos não sejam encontrados no mesmo barco furado, fazendo água por todos os cantos, aguarda-se a instalação de uma nova CPI no Congresso Brasileiro.

No entanto, a inevitabilidade da instalação da CPI denominada “de Cachoeira” nos permite observar as reações da grande mídia e os rumos que oferta à construção da opinião pública.

As atenções a ela debruçadas diferem, inteiramente, das que também merece aquela outra, da Privataria (amparada no livro de Amaury Júnior e que tem José Serra e o governo de FHC envolvidos até as entranhas), também requerida.

Uma análise das reações remete à conclusão de que há certa má vontade da grande imprensa com a instalação desta CPI especificamente. Querem estourá-la no nascedouro. Estranho, muito estranho!

Razões
Temos que o perigo desta CPI não está naquilo que de imediato ela apresenta – apurar as relações entre o bicheiro, políticos e governos – mas num tentáculo escondido: a imprensa, no imediato representada pela revista Veja, que trará, de roldão, a Época, IstoÉ, jornalões.

Não porque haja alguma coisa contra a imprensa em si mesma por ser imprensa, mas pelo fato de algumas de suas expressões utilizarem-se de métodos criminosos para obter reportagens e mesmo tentar derrubar governos. Sem falar nos escabrosos casos de chantagem.

Como fazer
No jogo da “desinformação” (misturar “mensalão”, que está sendo julgado pelo STF, com uma CPI que ainda nem iniciou os trabalhos) há uma sólida manipulação de que a sua instalação, que pode ocorrer nesta quinta 19, tem o condão de “encobrir” o julgamento do caixa 2, que denominam de “mensalão”.

Tratam de misturar alhos com bugalhos para desviar intencionalmente as atenções. Para isso vinculam a instalação da CPI de Cachoeira a interesses do PT.

Chegam até mesmo ao desplante de afirmar, como o fez José Nêumane Pinto no Jornal do SBT desta quarta 18, de que a dita cuja é uma vingança pessoal de Lula contra Marcondes Perillo.

Parece que lutam bravamente contra a instalação da CPI. Tem coisa!

Por isso insistimos: tem coisa muito além dos jardins de Brasília, que alcançarão certamente os jardins de empresas de comunicação nos arredores daquele universo da Paulista.

Que lutarão para não revelar as fontes de suas matérias bombásticas, às vezes não provadas.

Mas que causam um estrago terrível. Como desejado por elas!

Esse o temor! De que sejam descobertas tão sujas como os "sujos" que denunciam.

domingo, 15 de abril de 2012

DE RODAPÉS E DE ACHADOS Em: 15 de Abril de 2012

Quando o tema se esgota em si mesmo, um rodapé pode definir tudo e ir um pouco além.  
Adylson Machado

                                                                              

Da ficção à realidade

Os fatos adiante registrados podem ser inscritos dentre típicos “dramas virtuais”, tratando-se de uma sociedade que encontra na tecnologia, em suas múltiplas vertentes, a fonte de singulares valores.
“Em 2005, o jogador chinês Qiu Chengwei matou um colega do jogo The Legendo of Mir 3 por vender (no eBay) uma rara espada virtual que lhe havia emprestado”. É o que lemos na janela “Pagando por pixels”, do encarte do The Economist “O mundo todo é um jogo”, da Carta Capital, na edição 677.
A matéria trata dos rumos alcançados pelo mundo virtual onde ocorrem negócios como a transação que “permite que os jogadores deem um valor no mundo real para seus itens nos jogos... Alguns jogadores vendem itens cobiçados para outros jogadores por dinheiro real”, tema já explorado por Julien Dibbell em Play Money (2006).
É provável que além do valor real atribuído por Chengwei à sua espada virtual nela também estivesse um significativo valor sentimental.
Certo é que do mundo virtual Chengwei partiu para o mundo real, onde cumpre pena de prisão perpétua.   

Dor de cotovelo contemporânea

Aqui em Itabuna Grazielle, amiga de Yan, neto primogênito, com ele falava do que acontecera com um amigo. Fora presenteado pela namorada com uma destas inovações, um chip ultra moderno, para seu celular.
Mas – assim o disse Grazielle – foi traído pela namorada. Que, não bastando trocá-lo por outro sem prévio aviso, lhe pediu de volta o alentado chip. O amigo estava não só magoado, mas simplesmente arrasado.
Nestes tempos de outros valores, ou de refazimento de valores, a dor de cotovelo não o era porque ela o abandonara, mas porque exigira o chip de volta.
De fazer Lupicínio tremer na cova.

Márcio Thomaz Bastos

sinopeHá dias anunciada a assunção por Márcio Thomaz Bastos da defesa de Carlinhos Cachoeira. (O Estado de São Paulo, de sexta 6). Chegam a falar num contrato de 18 milhões de reais. Não o vimos. No entanto é fato. O Estadão, em matéria de Mariângela Galluci, afirma que Bastos protocolou pedido de habeas corpus para Carlinhos Cachoeira no STJ, na segunda 9. (Negada a concessão de liminar pelo Ministro Gilson Dipp na quinta 12).
Um homem de poucos escrúpulos defendido por um ex-Ministro da Justiça. Surrealismo à brasileira.
A moeda, como valor, não deve ser a orientação de um homem, mas a virtude – propagava Diógenes (404 ou 412-323 a.C.) em tempos idos.
Reconheçamos que o grego de Sínope não sabia o que representava 18 milhões. Tampouco o ex-ministro é Alexandre, o Grande.

Decreto moral

Não se trata no caso de uma atitude como a de Sobral Pinto, católico praticante e anticomunista convicto, que assumiu a defesa de Luiz Carlos Prestes por suas convicções de advogado e mesmo chegou a se utilizar da lei de Proteção aos Animais quando se esgotavam os fundamentos jurídicos amparados no direito natural, primado da Civilização, como argumento contra o Estado que torturava o seu cliente.
No caso sob vertente, não se pretende negar ao criminoso Carlinhos Cachoeira o direito a defender-se. Mas, o pouco que esperávamos, cabia a Márcio Thomas Bastos – que ocupou o Ministério da Justiça – ser mais seletivo na escolha de seus clientes. Afinal, para o ex-ministro dinheiro não seria o problema – imaginamos.
Caso fôssemos o ex-presidente Lula redigiríamos um “decreto moral” exonerando-o, ou tornando sem efeito a sua nomeação para o Ministério da Justiça.

Revista bandida

vejaNão há credibilidade, tampouco legitimidade na revista Veja para investir contra a instalação de CPI para apurar as intervenções de Cachoeira no mundo da política, de governos e dos negócios, inclusive escusos, buscando vinculá-la (a CPI) a uma tentativa de melar julgamento do caixa 2, alcunhado de “mensalão”.
Está chafurdada até às vísceras no escândalo, uma vez que beneficiária direta, através do tal Policarpo, da sucursal de Brasília, em escutas ilegais para alimentar matérias sensacionalistas. Dentre elas aquele famoso “grampo sem áudio” de um telefonema entre o senador Demóstenes Torres e o ministro Gilmar Mendes, do STF.
O próprio Carlinhos Cachoeira jacta-se de que as matérias que repercutiram no noticiário nestes últimos anos foram fruto da atuação de sua quadrilha. Como “o hábito faz o monge”, a prática indecorosa chegou a fazer com que um repórter da Veja invadisse o apartamento de José Dirceu, em Brasília, o que demonstra a desfaçatez da semanal.
No fundo, tenta enterrar a CPI. Na defensiva ataca: mensalão neles! Ainda que tema requentado, sob apreciação do STF.

Espaço no banco dos réus

Está a revista envolvida em ações espúrias, como aproveitar-se de agentes de Carlinhos incrustados na máquina pública para gerar matérias que chegaram a desaguar em suborno para atender interesses da revista, alcançando benesses em bancos públicos, para não se falar da estranha compra de milhões de exemplares da Veja pelo governo de São Paulo, sem licitação.
Tenta enterrar a CPI. Atacar para defender, desviando a opinião pública do que se espera apurado pela CPI. Que se realmente buscar limpar a sujeira, alcançará, certamente, a Veja e a Editora Abril, que tenta a manobra de assumir o comando da investigação quando, no fundo, é também investigada.
O que esperamos das apurações, se acontecerem a contento, é que não falte espaço no banco dos réus para a revista Veja e a Editora Abril.

Anencefalia

Com a decisão do STF admitindo a possibilidade de abortamento em casos de anencefalia e da iniciativa do Conselho Federal de Medicina de desenvolver métodos seguros de diagnóstico seria interessante desenvolver um método de avaliação de outro tipo de anencefalia: a política.
Na anamnése perguntas tipo se o paciente assiste o BBB ou que revista semanal lê seriam de grande utilidade.

Mudando rumos

A Presidente Dilma olhou no fundo dos olhos de Obama e cobrou “respeito aos contratos”, lembrando que os EEUU sempre assim fizeram com relação ao Brasil. Defendia a venda de tucanos da Embraer, cancelada por iniciativa do Congresso estadunidense. “Como podemos fazer acordo na área de Defesa se o Congresso americano não respeita contratos?” afirmam os que assistiram a prosa entre os dois na Casa Branca, como revelado pelo Estadão, em matéria de V. Rosa com colaboração de D. C. Marin, como veiculou o Luis Nassif Online deste sábado 14. 
Que continue assim!

É também deles

pingaA cachaça, a famosa branquinha que já se torna arco-íris (tudo deve ter começado com aquela “azulzinha” produzida pros lados de Coaraci nos anos 60), recebe o selo de reconhecimento nos Estados Unidos. Vitória do Governo Dilma, dirão os defensores da mais autêntica e brasílica destilada, que consegue, de início, a proeza de fazer com que nossa pinga deixe de ser por lá alcunhada de rum.
Aguarda-se o reconhecimento interno e que venha a ser servida nos rega-bofes do Itamaraty.

Rotos e esfarrapados

PSD e DEM. Fundidos. Não se duvide da força numérica da bancada que adviria da união. Próxima a do PT.
Mas pode representar aquele famoso abraço de afogados: só um escapa, quando não morrem os dois.

bessinhaMais se espera I

Louvável a iniciativa da OAB local, com direito a foto, de buscar junto ao Ministério Público intervenção para coibir propaganda eleitoral antecipada. No entanto, vemos um lugar comum, a considerar que atitudes inconvenientes de candidatos em geral serão objeto de denúncia com vistas a inviabilizar candidaturas na oportunidade em que pretendam registro para habilitar-se ao crivo do eleitor, se o interessado pretender exercer o direito subjetivo de fazê-lo, nele se incluindo o Ministério Público como custos legis.
Para a instituição, com nossos botões dialogamos, esperamos mais afinco por aquilo que mais diretamente está vinculado a OAB: a defesa do advogado e da advocacia.

Mais se espera II

Dizia-nos um causídico, que buscou conversar com um magistrado local da Justiça Federal, na defesa dos interesses do cliente, recebendo a resposta, através de um servidor, de que ele (o magistrado) não conversava com advogado. Este, que peticionasse.
Bons tempos em que o advogado era respeitado, valorizado sem texto constitucional, não era impedido de ter acesso aos autos, era recebido pelos juízes.
E não precisava ser avaliado por um Exame de Ordem. Que o torna distinto e desigual para a definição constitucional de que “todos são iguais perante a lei”, uma vez que todos os graduados são iguais perante a lei, exceto os que cursarem Direito.

Todos iguais

Em época de campanha eleitoral o discurso que o PT dispunha em Itabuna, de que a administração Azevedo (DEM) não cumpria o piso nacional do magistério, foi sacrificado com a greve dos professores do Estado administrado por Wagner (PT).
Partindo do fato de que todos são iguais perante a lei, DEM e PT estão iguais perante a greve.

Hummm!

Não fosse o contexto em que posta, a fala de Rui Carvalho a “O Tabuleiro” – radiofônico comandado por Vila Nova, na Conquista FM, em Ilhéus – mais apropriada estaria para o divã psicanalista: “A gente não pode ir por interesse e sim por amor. Todo casamento tem que ter tesão”.
Coisa assim de dor de marido traído sem possibilidade de retorno ao lar que abandonou, tipo “arrependido quer voltar”, “ruim com..., pior sem...”.
Certo que estamos em novos tempos para a política. Mas... a linguagem e o vocabulário!

Não deixa a cena

Geraldo Simões continua no olho do furacão. As dificuldades políticas estão a lhe chegar por vertentes as mais diversas e impensáveis no passado. Destaque-se a falta de crédito na cidade. Pelo menos no setor gráfico. Ninguém admite realizar um serviço para GS se o dinheiro não for pago adiantadamente.
Nem fotógrafo está admitindo fiar quatrocentos dinheiros para GS. Sem dindim adiantado não tem fotografia.

Informativo

Aguardam a circulação de um informativo ou outro título que lhe deem. Para louvar a importância do PTdoG na eleição local.
Circulará assim que o dinheiro chegar... Para pagar a impressão.

Difusora ainda é notícia

Não diremos que seja responsabilidade direta de Geraldo Simões, mas tem gente diretamente vinculada ao negócio que fez cair a emissora no colo de GS que não anda nada satisfeita com o deputado.
Lamenta-se o indigitado haver lutado com unhas e dentes para que o negócio fosse realizado entre Fernando e Geraldo (ops! amigo de...), chegando a inviabilizar a pretensão de um empresário local e a de pessoas vinculadas ao governo Azevedo, a fim de que fosse selado o pactuado com o petista, tudo assegurado graças à sua intervenção.
Andou paparicado e ciceroneado em Luzimares. Hoje amarga o desengano. Descobriu que Geraldo Simões deu de não cumprir a palavra dada.
Esqueceu o coitado de exigir que o prometido o fosse por escrito, com firma reconhecida... Afinal, Geraldo Simões não usa bigode!

Caminhos ásperos

Não trataremos do clássico faroeste, dirigido por John Farrow em 1953. Não há tambores apaches. Mas o périplo por que tem de passar a candidatura do PTdoG, selada neste instante em torno de Juçara, que não assegura nenhum “caminho de Compostela”.
Vazam por aí que fonte estranha ao universo local mandou levantar o cenário eleitoral em Itabuna sob o plano de uma ópera. Lá está Juçara e seus 32 fiéis amigos, acompanhada por Azevedo, com 26 vassalos e Vane cavalgando 12 potros.
Como nos contaram existir uns 35 desconhecidos a fugir de todos, pode haver ator demais para tão pouca cena.

Lembrança

Paulo Sarraceni (1933-2012) morreu neste sábado 14. Dos mais respeitados cineastas brasileiros, ao lado de Glauber, Ruy Guerra, Nélson Pereira dos Santos, Alex Viany, Leon Hirszman, Joaquim Pedro de Andrade, Carlos Diegues, Roberto Farias, dentre outros, iniciou o movimento “Cinema Novo”. Glauber declara ser de Sarraceni a frase a ele atribuída, de que se faz cinema “Com uma idéia na cabeça e uma câmera na mão”.
Desde o documentário “Arraial do Cabo” (1959) até “Banda de Ipanema” (2001) – uma homenagem a Albino Pinheiro – Sarraceno trilhou pela reformulação conceitual do cinema brasileiro, a partir da realidade pátria (Arraial do Cabo é típica premonição em relação aos problemas modernamente contemplados como preocupação pelos danos causados ao meio ambiente na relação progresso-natureza, que Eliane Caffé retoma poeticamente em “Narradores de Javé”, em 2003).
Destacamos aqui, no espaço para música, uma cena de “O desafio”, de 1965 (filme que lida com os impasses da esquerda brasileira, derrotada em 1964), onde Sarraceni utiliza parte do Show Opinião (direção de Augusto Boal, com textos de Ferreira Gullar, Paulo Pontes, Oduvaldo Viana Filho e Armando Costa), dele destacando o instante em que Maria Bethânia interpreta “Carcará” (João do Vale-José Cândido).


Cantinho do ABC da Noite

cabocoOutro destes sábados para os “paroquianos” do ABC. Conversa vai, conversa vem. Sai um, entra outro. Batida saltando do frízer para o bucho da moçada, até que o valor de chás, como medicamento, dominou o espaço. Citado um tipo, outro e mais outro. Não tardou alguém definir:
– Lá em casa não falta capim-santo.
– Dez anos desse chá, Cabôco, garante lugar no Paraíso – não perdeu o mote o filósofo do Beco do Fuxico. – Basta comunicar ao Papa e você terá a canonização garantida.

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Adylson Machado é escritor, professor e advogado, autor de "Amendoeiras de outono" e " O ABC do Cabôco", editados pela Via Litterarum

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Laço

Tem coisa
Senadores, incluindo de partidos de oposição, pretendem instaurar uma CPI mista para melhor apurar - o que inclui os desdobramentos -, as denúncias que envolvem Carlinhos Cachoeira.

Inflamaram-se diante da recusa do Ministro Ricardo Lewandowsky, do STF, em ceder informações das apurações que se encontram em seu poder em razão de pedido de investigação para o senador Demóstenes Torres, por entender o Ministro que estão sob a égide do sigilo.

Cá de nossa parte, o protegido pode não ser só Demóstenes.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Camisa de onze varas

Telhado de vidro
Dentre os paladinos e arautos da moralidade e da transparência o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) se destaca. (No momento outro está na muda – o goiano Demóstenes Torres, do DEM-GO). É justamente na trilha da defesa que faz(em) da tribuna do Senado que nos vem à mente o raciocínio abaixo.

Neste Brasil nos foi dada a oportunidade de descobrir, nos últimos anos, que, em nível de partidos – a considerar o universo dos políticos que os integra – não há santos em profusão. Alguns políticos, raros, não merecem nem mesmo integrar tal mundo, tanta a credibilidade que ostentam.

No entanto, temos certeza, que a regra geral trabalha por outra vertente: a dos maus exemplos.

Assim, a coisa está se tornando temerária para quem denuncia, porque costuma respingar em vários partidos as mazelas. O que pode incluir o seu.

No caso em evidência, que alimenta holofotes, pedidos de CPI – mais que justos, não fora necessários – podem redundar em resultados pífios, quando todos buscarem salvar a pele na hora de concluir relatórios.

Foi assim com a do Banestado, quando se abraçaram PSDB e PT.

Roto falando de esfarrapado
A tal Toesa, por exemplo, não só venceu licitações do Ministério da Saúde, quando José Serra (PSDB) era Ministro, como o acompanhou quando assumiu a Prefeitura de São Paulo.

Sua competência é vasta, pode-se perceber. Venceu licitações no Distrito Federal, com José Roberto Arruda (DEM), com Kassab (PSD, ex-DEM). E deve estar por este Brasil a fora. (A informação é da mesma fonte, citada abaixo).

Paremos por aqui, por enquanto, lembrando minha Tormeza: quem tem o seu de vidro não joga pedra em telhado alheio.

É que fica a parecer coisa de roto falando de esfarrapado.