domingo, 10 de maio de 2020

Na República acovardada a democracia de fancaria


Querem tudo feito às pressas, visando apenas o lucro, ainda que sacrificada a Nação. Eis o que pretendem: uma democracia de fancaria para dizer que existe; malfeita, grosseira, sem povo; Para dizer que nela vivemos.

O Brasil, caso deitado no divã e sendo analisado pelos maiores especialistas do planeta, os deixará inteiramente aturdidos. Não só o conjunto de paranoias, mas a circunstância eminentemente surrealista em que está e com suas instituições inteiramente descontroladas.

Não se pode entender que as instituições da República fiquem a discutir – alguns de seus representantes até implorando – que um presidente desta mesma república esteja a anunciar a implantação de uma ditadura. Não é concebível que tal aconteça em terra de gente sadia mentalmente.

Estamos naquela: – Calma, presidente, deixa pra lá. Não dê um golpe, não implante uma ditadura!

Os verdadeiros homens públicos desta terra estão lançados ao ostracismo, não são escutados. Implantou-se o debate entre quem odeia mais ou odeia menos e a racionalidade está à deriva.

Neste país do “quase” Rodrigo Maia diz que pressão contra o isolamento social é ato “quase criminoso”. Supimpa. 

Há quem lave as mãos na bacia de sangue da ditadura e declare que a tortura nos porões do Estado sempre existiu, como se isso fosse a coisa mais normal do mundo.

Não nos esqueçamos que o STF, quando prestes a julgar um habeas corpus impetrado por Lula, em 2018, que poderia garantir seus direitos políticos, foi ameaçado por um militar. 

O presidente deste mesmo STF libera a divulgação de manifesto em favor do golpe de 1964. Ou seja, da ditadura.

Generais vão ao presidente da Câmara para pedir por não apreciação de impeachment.

Na verdade contra o Estado de Direito há muito uma parcela significativa do STF vem trabalhando para que tal se materialize (certamente os que nunca foram torturados nos porões da ditadura). Encontra apoio de militares que estão a fugir de suas funções institucionais.

O sadomasoquismo: eu bato, você apanha; quanto mais o faço mais você aplaude.

Eis que vivemos no singular Estado democrático (com minúscula, revisor) de Direito, onde o populacho da violência expressada já ensaia sua atuação miliciana (arrecadando e ameaçando) e as instituições do Estado se curvam acovardadas.

Na República de covardes, uma democracia de fancaria se faz imprescindível. Não a fancaria comercial da fabricação de fazendas brancas de algodão, mas o da obra grosseira, feita à pressa visando apenas o lucro. Ou melhor, apenas a coisa malfeita.

Eis a razão por que restará a esta república que abriga uma nação de instituições acovardadas a democracia que lhe é própria: a de fancaria. 

A que legitima o país entregue na bacia das almas.
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Segunda 11.05.2020
Ah! Em meio a tudo falam as más línguas que 190 mil militares estariam recebendo irregularmente o auxílio (sim, caro leitor, este mesmo, de 600 reais) de forma irregular, em valores que superam 113 milhões de reais (diz o 247). Certamente um engano perdoável para os próprios.

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