domingo, 22 de novembro de 2020

Direito, STF, democratas estadunidenses, Lula e leituras

  “Entendemos que o Estado de Direito, no Brasil ou em qualquer outro país, corre sérios riscos quando não há respeito ao devido processo legal, que garante a todos os cidadãos o direito a um processo justo e imparcial. Entendemos, ainda, que a Corte possui um papel essencial na salvaguarda das instituições e da democracia brasileira. Assim, pedimos respeitosamente aos Senhores Ministros do Supremo Tribunal Federal que não se furtem à sua responsabilidade histórica, e atuem na plenitude de suas funções para reparar as injustiças cometidas contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”.

As preocupações que originam o “Manifesto de solidariedade internacional ao presidente Lula e pela votação do habeas corpus pelo STF”, subscrito por 356 líderes e intelectuais em diversos ramos (publicado no Brasil247) refletiu sua preocupação por considerar que


“Os fatos revelados pelo site The Intercept, difundidos em diversos outros meios de comunicação do Brasil e do mundo, evidenciam que regras fundamentais do devido processo legal foram reiteradamente violadas. Ademais, a conduta do Sr. Sergio Moro, ex-juiz e ex-ministro da Justiça, bem como de outros membros das Forças Tarefas da Lava Jato e do Ministério Público, deixa claro não somente a existência de conluio em um processo altamente politizado, como também que foi negado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seu direito inalienável a um julgamento imparcial. Recebemos com estranhamento as notícias de que houve ingerência do FBI e do Departamento de Justiça do governo dos EUA com os procuradores da Lava-Jato. Sabemos que é inaceitável que governos estrangeiros atuem sobre processos judiciais locais que agridem a soberania e escondem outras motivações políticas e econômicas”.

Dirão muitos que a manifestação defende Lula.

Nossa leitura é outra: não a temos como pedido em favor do ex-presidente. Pelo contrário: há no manifesto uma clara defesa do Direito que deve ser aplicado de forma equânime. 

E, mais grave, muitíssimo grave: parcela respeitável da comunidade jurídica internacional duvida do Julgador brasileiro. Este o aspecto mais grave  mesmo inimaginável  posto à luz na manifestação.

Cabe realçar que não estão nela subscrevendo brasileiros engajados que pensem de igual forma, aqueles por aqui tachados de petralhas, esquerdopatas e expressões tais.

Obama teria criticado Lula, registram. Não alcançamos em que contexto e qual a realidade da expressão. Mas ficamos com a fonte, qualquer que seja o dito, como expressado na Gazeta do Povo:


"Ex-líder sindical grisalho e cativante, com uma passagem pela prisão por protestar contra o governo militar, e eleito em 2002, tinha iniciado uma série de reformas pragmáticas que fizeram as taxas de crescimento do Brasil dispararem, ampliando sua classe média e assegurando moradia e educação para milhões de cidadãos mais pobres. Constava também que tinha os escrúpulos de um chefão do Tammany Hall, e circulavam boatos de clientelismo governamental, negócios por baixo do pano e propinas na casa dos bilhões".

Cumpre registrar que o referido “Tammany Hall” diz respeito “à máquina política corrupta do Partido Democrata dos Estados Unidos que dominou a cidade de Nova York por 200 anos”.

Não entra este escriba de província em maniqueísmos e bate boca, para dizer que este ou aquele está com a razão. Afinal, não nos cabe questionar Barack Obama a reconhecer/confessar a existência de esquemas criminosos em seu próprio partido, tampouco não é crível que tal mazela esteja ou estivesse restrita apenas a Nova York. Até porque o eleito em 2020 sofre baterias de denúncias e investigado é por corrupção.

Registramos neste espaço (Espelho quebrado não muda embalagem) nossa crítica ao encanto e deslumbramento de setores progressistas desta terra brasilis diante da eleição de um ‘democrata’ nos Estados Unidos.

O que nos chega  pelos arautos de sempre — o dito pelo ‘democrata’ Barack Obama sobre o governo da expressão maior da esquerda brasileira  nos leva ao imediato de uma leitura aqui antecipada, não fora tema abordado em muitas outras oportunidades: de que  como lembrava Moniz Sodré, em 2013  os EEUU não admitiriam o protagonismo brasileiro posto em prática nos governos petistas.

Assim, o atribuído a Obama é um recado claro ao Brasil da seguinte forma: não toleraremos retorno de políticas públicas que se voltem para o fortalecimento interno, tampouco busca de ocupação de espaços no plano externo que confrontem a hegemonia estadunidense. Para os Estados Unidos o ideal, o perfeito, é um governo nos moldes FHC.

Claro que não lhe agrada o rompante do interino do Alvorada, mas no risco de vê-lo fora do poder melhor que não retorne um Lula.

Não custa lembrar que o golpe de 2016 no Brasil não foi gestado por Donald Trump.

Aprendemos no curso dos anos a ler o que está além da mensagem. Aquilo que outros não leem.

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Post scriptum

Para perceber como caminha a informação que nos chega.

Razão por que não só aprender a ler além da mensagem. Também compreender como e para quê foi elaborada a mensagem.

O The New York Times denuncia a armação montada contra a China para fazê-la responsável pela existência do Covid-19, como veicula o GGN.


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