domingo, 15 de junho de 2014

Destaques

DE RODAPÉS E DE ACHADOS
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Resultados
No início de junho  precisamente no dia 2, como noticiado por O Tempo  em debate promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado brasileiro, o Secretário Nacional de Drogas do Uruguai, Julio Heriberto Calzada, informou que o país conseguiu reduzir a zero as mortes ligadas ao uso e ao comércio da maconha desde que adotou regras para regulamentar o cultivo e a venda da droga. 

O debate não mereceu a atenção devida de nosso noticiário televisivo.

Pode-se não concordar com a afirmação de Calzada, mas cientificamente analisada merece aprofundamento o que disse. Ainda que tenha afirmado que a liberação pode aumentar o número de usuários, depois de editada a lei que legalizou o consumo e a produção em território uruguaio, o contraponto em relação à violência justifica análise mais precisa.

'No debate, o secretário afirmou que respostas efetivas para a questão das drogas dependem de clareza na delimitação do problema. Ele apresentou aos senadores perguntas que devem ser respondidas: Qual é a questão central das drogas? O foco deve estar na substancia? Nas pessoas? Na cultura? Na sociedade? Na política? Na geopolítica? Nas normas? Na fiscalização do trafico ilícito?
Os países, disse o secretário, devem ter em conta que as substancias – tabaco, maconha, heroína, cocaína – não são iguais e devem ser analisadas em suas particularidades e tratadas conforme o conjunto de aspectos referentes a cada uma. Pela grande complexidade do problema das drogas, disse, o Uruguai busca embasar suas ações em evidências científicas'.
O tema está sendo debatido no Senado brasileiro, visando amparar parecer da Comissão em torno da proposta de iniciativa popular (sugestão 8/2014) voltada para a constituição de regras para uso recreativo, medicinal e industrial da maconha.

Superando a hipocrisia
A maconha vem sendo o objeto central da discussão em torno da liberação das denominadas drogas ilícitas.

O combate pura e simples, sob o prisma da repressão, destituído de políticas públicas que reconheçam o consumo de tais drogas como um problema de saúde pública, tem levado a uma postura de certa forma hipócrita diante da droga (lícita e ilícita) como problema concreto. 

Os danos causados pelo álcool e pelo tabaco, por exemplo, não podem ser minimizados pelo fato de serem lícitos a sua comercialização e o seu consumo. 

Um amigo, professor de Química da UNEB, registra em torno do que considera um absurdo: enquanto a maconha é proibida os remédios para emagrecer não o são, em que pese infinitamente mais danosos ao organismo.

E para ilustrar o que dizia: 'comparando os efeitos para o organismo podemos distanciar a maconha e os remédios para emagrecer situando-os entre consumir álcool e arsênico'.

A diferença em como o problema é encarado reside  assim vemos  na hipocrisia que norteia uma sociedade mais pautada em negócios que no homem/humanidade. Não fora isso não veríamos publicações criminosas, desprovidas de responsabilidade social, fazendo apologia a remédios para emagrecer como se fossem um simples chazinho de cidreira.


Para a Sociologia
Sobre os legados da Copa no Brasil – que a grande mídia insiste em não ver, porque a serviço da campanha eleitoral como parceira da oposição – muito se escreverá.

O que ninguém imaginaria é que os cientistas sociais viessem a se debruçar em torno do fenômeno mais escandaloso: o xingamento (as vaias, em si, já se constituiriam em nonsense), em termos impublicáveis, à Presidente da República no exercício de sua função institucional de Chefe de Governo e de Estado do Brasil (recebendo autoridades mundiais que se faziam presentes), transmitida ao vivo e em cores para o planeta, onde cerca de 3 bilhões de pessoas assistiam à abertura da Copa.

Muito dos aforismos que podem ser declinados à criatividade de Nelson Rodrigues traduz o sentimento percebido pelo cronista para compreender o brasileiro comum. Do complexo de vira-lata ao mais atual e consentâneo: no Brasil, cochicha-se o elogio e berra-se o insulto.

Desprezou-se o cochicho em torno do quanto positivo realizar a Copa em nosso país e concentrou-se energia no berro inconsequente.

O que nunca se imaginou é que o insulto ficasse nu de sua vocação e enveredasse pela estupidez travestida de falta de educação, de grosseria, de deplorável deprimência.

Os estudos, no entanto, não se debruçarão sobre a grandeza de quem os motivou – porque não o há – mas em como explicar que tenha nascido de onde nasceu.

Aí, sim, o que antes seria surpresa: a descoberta de uma latrina travestida de estamento social.

As vaias da Copa
O que aconteceu na abertura da Copa não representa o Brasil. Lamenta-se que assim queiram fazer parecer os seus autores. São da mesma estirpe daquela na Abertura do Panamericano em 2007 para Lula, encomendada e paga por César Maia; esta, por quem dispunha de recursos financeiros para o ingresso; integrante da classe média/elite paulista/paulistana que ainda sonha em voltar a ver São Paulo como locomotiva do Brasil, onde só ela se beneficia enquanto os vagões a sustentam.

As vaias (e xingamentos) começaram na área VIP do Itaquerão (G1 e Folha), onde presentes os que pagaram 990 reais por ingresso, dentre eles celebridades da Globo e de outras redes de televisão, muitos que entraram com ‘cortesias’. 

Exaltadas em noticiário televisivo, como o Jornal Nacional, que lhe deu grau de importância em nível do evento. (Por essas e outras, vemos a Copa na Fox e no ESPN).

Até Boris Casoy criticou-as pelo desrespeito e baixeza contra a Presidente.

Um ato deplorável, deliberado, grosseiro, ensaiado e avisado, lamentável e deprimente.  

Estivesse vivo, Gilberto Freyre (foto) teria bem sintetizado o estádio: em campo, a miscigenação (a ‘nova civilização mundial’ de que falava empolgado Darcy Ribeiro) que hoje ainda é senzala para a casa-grande – aquela que iniciou a vaia.

Uma elite que compra em Miami, que certamente vai a estádios com a mesma frequência com que cometas transitam por nosso sistema solar. 

Muitos dos que vaiaram e xingaram a Presidente são integrantes da mesma elite que gerou e financiou a repressão da ditadura que torturou Dilma Rousseff. Talvez essa a razão: o torturado tem mais coragem que o torturador!

Enquanto o povo cantou o Hino Nacional, a elite branca xingou a Presidente da República do Brasil.

As vaias não são do povo. Por isso as vaias envergonham o país, por abrigar tal tipo de gente.

Essa turma não merece o Brasil.

Oportunismo e vulgaridade
A pobreza mental norteia alguns políticos de oposição ao Governo. Ainda bem que nem todos. Apenas os que se imaginam a casta ideal para governar o país. Como Aécio Neves e Eduardo Campos.

Aécio Neves  no embalo dos palavrões dirigidos à presidente  ao afirmar que  ela colhe o que plantou e que é uma presidente sitiada que não pode aparecer em público revelou-se um típico representante dessa gente.

Eduardo Campos não perdeu o mote e papagaiou: “A gente sabe. Há na sociedade um mau humor, uma insatisfação que se revela neste momento... Talvez a forma não tenha sido a melhor de expressar esse mau humor, essa discordância. Mas o fato é que vale o ditado: na vida a gente colhe o que a gente planta”.

Aécio e Campos perderam excelente oportunidade de calar-se diante de um absurdo. Afinal, a atingida não foi a oponente nas eleições de 2014, mas a instituição da presidência. Que cada um pretende ocupar.

Não fora revelarem também extrema deselegância e falta de educação ao se aproveitarem de ofensas públicas dirigidas a uma mulher, mãe, avó  e até prova em contrário  pessoa digna, não fosse a dignatária maior do país.

Telhado de vidro
A postura de Aécio Neves diante dos xingamentos recebidos pela presidente Dilma Rousseff podem tornar-se bumerangue para ele. Diz a sabedoria popular que quem tem telhado de vidro não joga pedra no telhado alheio.

Em 2008, durante jogo entre Brasil e Argentina no Mineirão Aécio foi agraciado com esta pérola da torcida em coro: "Ô Maradona / Vai se f... / O Aécio cheira mais do que você".

Em 2011 foi manchete no Extra (jornal da Editora Globo), para registrar o que o noticiário nacional (hoje esquecido, o noticiário) escancarou em razão de sua reação a uma determinada blitz.
 


Dando nome aos bois I
Nas vaias e xingamentos à presidente Dilma Rousseff José Trajano, da ESPN, não poupou críticas a uma colunista social do jornal O Estado de São Paulo, encastelada no camarote do Banco Itaú, que, a plenos pulmões, iniciou o grito da saudação “Ei, Dilma, VTNC”.

Segundo Trajano, a “Finlândia” – como a identificou – não foi aplaudida pelos companheiros de camarote.

Por essas e outras  assim entendemos  já está identificada a razão por que o PSDB pede ao ministro Gilmar Mendes, do STF, o direito à manifestações nos estádios da Copa: garantir ao seu público elitizado produzir sons e imagens que utilizará no horário eleitoral.

Ainda que deprimentes para a imagem do país.

Dando nome aos bois II
Trajano, em seu programa na ESPN, no dia seguinte às críticas que fez aos 'ilustres' da ala Vip do Itaquerão  e das 'censuras' que recebeu dos que aplaudem a estupidez , deu nome a alguns "bois" que alimentam tais comportamentos:

"Eu queria dizer a esses destemperados e malcriados frequentadores de mural [alusão ferina aos que são presença constante em colunas sociais] que têm mania de dizer impropérios, de xingar, maltratar, não respeitar a opinião alheia e que têm como guru gente que só semeia o ódio e a inveja, gente como Demétrio Magnoli, Augusto Nunes, Mainardi, Reinaldo Azevedo, que eu continuarei daqui dessa tribuna falando desse jeito...".

Resposta civilizada
A Presidente Dilma Rousseff mostrou-se à altura do cargo que exerce, diante do acontecido:

“Não vou deixar me perturbar por agressões verbais. Não vou me deixar perturbar. Eu não vou me deixar atemorizar por xingamentos que não podem ser sequer escutados pelas crianças e pelas famílias. Aliás, na minha vida pessoal enfrentei situações do mais alto grau de dificuldade. Situações que chegaram ao limite físico. Eu suportei não foram agressões verbais, mas agressões físicas”, disse Dilma, na inauguração de um dos trechos do BRT, em Brasília.

Resposta civilizada para os incivilizados.

Aplausos em 2007
Acompanhado de governadores o então Presidente Lula esteve em Zurique para lutar pela Copa de 2014 no Brasil. 

Aplaudida por todos a sua conquista. Afinal, cada governador lutava para tornar seu estado visível ao mundo e pretendendo assegurar que fosse sede de jogos.

Identifique o leitor na foto comemorativa Eduardo Campos, Aécio neves, José Serra, Inácio Arruda dentre outros. Encontre uma explicação a oposição estar contra a Copa.


Para começar
A Copa do Mundo no Brasil já assegurou alguma coisa para alguém que não a teria caso a competição não fosse aqui realizada: a periferia de São Paulo – em Itaquera – foi o espaço onde construído o estádio para a abertura da Copa.

Tem/teve paulistano quatrocentão torcendo o nariz para se deslocar à periferia. Não fosse a oportunidade de xingar a presidente Dilma muita gente não teria ido lá.

Lembrando Cláudio Lembo
O político Cláudio Lembro, do DEM, já nominou de “elite branca” a parcela que não está nem aí para o desenvolvimento do país, muito menos que a redução das desigualdades se efetive. 

Defende, sempre, a manutenção de seus privilégios ‘conquistados’ nas costas da exploração do povo.

É dessa ‘elite’ os que estavam na área VIP do Itaquerão, que haviam se deslocado para uma periferia por não terem outro jeito de assistir ao vivo a abertura da Copa.

Por que o PT/Dilma/Lula incomodam
O Programa Universidade Para Todos-Prouni registrou mais de 653.000 inscritos, com aumento de 50% em relação a 2013 (436.941).

No quesito gênero, a maioria de mulheres (59%). No quesito raça, 62,6% de negros.

Isso o que incomoda a ‘elite branca’, de que fala Cláudio Lembo. 

Perdendo domésticas e quejandos para a advocacia, a administração, a pedagogia, as ciências contábeis e a engenharia (166.807 das inscrições).

A TV aberta
Caiu a audiência da TV aberta que transmitiu a abertura da Copa. TV Globo e TV Bandeirantes já não mais atraem o torcedor/telespectador.

A explicação pode estar no fato de que tais emissoras são objeto de uma resistência do telespectador ao que fazem com a programação e a notícia em geral: sensacionalismo e manipulação.

Foi pênalti
Não tememos afirmar: na jogada em que Fred recebe a bola e busca virar para chutar foi agarrado e puxado. Tinha tudo para finalizar para o gol. 

O juiz já havia chamado a atenção da defesa croata anteriormente por causa do agarra-agarra em Fred.

No desejo incontido de fazer um gol - de abrir uma artilharia na Copa - difícil imaginar que Fred o substituísse por 'cavar' um pênalti. 

A foto fala. E convence.

Lavou a alma
O advogado de Genoíno resgatou a altivez da advocacia, vilipendiada nestes tempos. Talvez não tanto na dimensão em que o Direito e a Ética de julgar foram lançados ao ralo por Joaquim Barbosa.

Resgatou a origem do termo que nomeia a profissão – ad vocatum ou ad vocare (o que “empresta a voz” ou o “para falar”).

E deu oportunidade a Joaquim Barbosa de marcar seu último tento no campo da estupidez e do despreparo para o exercício da função de Presidente do STF.

Emoção para tudo
É o que se pode dizer do que representa em dimensão subjetiva o sentimento da emoção. 

Houve gente que se emocionou com Cláudia Leite se exibindo na abertura da Copa.

Explicado
Ao que parece  pelo menos para quem transitou pela cidade de Itabuna no sábado passado entre as 9 e as 10 horas  estávamos em pleno feriadão, daqueles que levam o grapiúna motorizado para longe em busca de praias e de parentes em outras localidades.

As ruas centrais disponibilizando estacionamento. Dirão todos: mérito da Zona Azul. Irrefutável.

Ficou flagrante que o problema estacionar em Itabuna fica difícil porque donos de lojas, profissionais liberais e funcionários motorizados (culpa de Lula/Dilma/PT) estacionam seus veículos na porta de estabelecimentos e edifícios onde trabalham.


"Cara dona Dilma,
Dirijo-me à senhora Dilma Rousseff pessoa física mesmo, não à presidente do meu país, e chamando-a de dona porque foi assim que aprendi a me dirigir a pessoas do sexo feminino que já tenham uma certa idade e sejam mães ou avós de família.

E sabe onde aprendi como me dirigir educadamente a quem quer que seja, mas principalmente às senhoras?

Foi na zona leste, dona Dilma, lá mesmo pras bandas do estádio em que a senhora foi tão rude e desrespeitosamente tratada na última quinta-feira.

Tendo nascido e sido criado naquele cantão da cidade e conhecedor da índole daquele povo todo, dona Dilma, eu humildemente peço desculpas pelo tratamento que a senhora recebeu ali no nosso pedaço. E tenho toda a serenidade do mundo para lhe garantir: não fomos nós, povo da Zona Leste, que a ofendeu daquele jeito.

A gente boa da zona leste, dona Dilma, não é disso, não."

O registro acima é de Luiz Caversan, que escreve aos sábados na Folha de São Paulo.

Para Caversan e os brasileiros todos que amam este país, o que somos em música. Para os que nos sentimos felizes... felizes... por estarmos convivendo com gente do mundo todo em abraço fraterno. 

De Ary Barroso, a universalizada “Isso aqui o que é (Sandália de Prata”) com o brasileiro universal João Gilberto.

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